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As mulheres na obra de Machado de Assis: entre a dissimulação e a lucidez

No século XIX, quando a literatura brasileira ainda consolidava sua identidade, Machado de Assis criou personagens femininas que desafiaram padrões, ironizaram convenções sociais e expuseram as engrenagens ocultas de uma sociedade patriarcal. Longe de serem figuras decorativas, as mulheres machadianas são complexas, ambíguas e, muitas vezes, intelectualmente superiores aos homens que as cercam.

 

 Capitu: a força do enigma

 

Entre todas, Capitu talvez seja a mais emblemática. Protagonista de Dom Casmurro, ela permanece como um dos maiores enigmas da literatura em língua portuguesa. Traiu ou não traiu Bentinho? A pergunta atravessa gerações, mas talvez diga mais sobre o narrador, ciumento e pouco confiável,  do que sobre ela. Capitu é descrita com seus “olhos de ressaca”, metáfora que traduz sua personalidade intensa, inteligente e difícil de decifrar. Mais do que possível adúltera, ela é símbolo da autonomia feminina que inquieta o olhar masculino.


 

 Virgília e o poder do desejo

 

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Virgília encarna o desejo e a ambição social. Casada, envolve-se com Brás Cubas sem remorso evidente. Diferentemente das heroínas românticas idealizadas, Virgília é prática, estratégica e consciente de seus interesses. Machado a constrói como sujeito ativo de suas escolhas, ainda que essas escolhas desafiem a moral vigente.

 


 Sofia e a crítica social

 

Já em Quincas Borba, Sofia surge como personagem que transita entre a sedução e o cálculo social. Ao lado do marido, Cristiano Palha, participa do jogo de aparências e interesses que estrutura a narrativa. Mais uma vez, Machado retrata a mulher não como vítima passiva, mas como agente dentro das limitações impostas por seu tempo.


 

 Entre o julgamento e a modernidade

 

As personagens femininas de Machado de Assis frequentemente são julgadas por leitores e críticos com mais severidade do que seus equivalentes masculinos. No entanto, essa reação pode revelar o desconforto diante de figuras femininas que não se encaixam no modelo de pureza e submissão esperado no século XIX.

 

Ao criar mulheres como Capitu, Virgília e Sofia, Machado antecipou debates contemporâneos sobre gênero, poder e narrativa. Sua literatura desmonta certezas, expõe preconceitos e convida o leitor a desconfiar das versões oficiais, inclusive daquelas contadas pelos próprios protagonistas.


Portanto.......

 

Mais de um século após sua morte, Machado de Assis continua atual. E suas mulheres seguem vivas: inquietas, inteligentes e impossíveis de reduzir a rótulos simples.

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Glaucio
há 3 dias
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Girl Power!

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