Depressão ou deficiência nutricional?
- Mayara Rissato

- há 6 dias
- 3 min de leitura
A importância de olhar o corpo como um todo.
A depressão é uma condição séria e multifatorial, envolvendo aspectos emocionais, psicológicos, sociais e biológicos. No entanto, algo que ainda recebe pouca atenção é o quanto deficiências nutricionais e desequilíbrios hormonais podem provocar sintomas muito semelhantes à depressão — e, em muitos casos, serem a verdadeira causa do sofrimento emocional.

Cansaço extremo, desânimo, tristeza persistente, falta de foco, irritabilidade, alterações no sono e na memória nem sempre indicam um transtorno depressivo. Muitas vezes, o organismo está apenas sinalizando que algo não está funcionando bem bioquimicamente.
Vitaminas e hormônios diretamente ligados ao humor
Vitamina B12
A vitamina B12 é essencial para o funcionamento do sistema nervoso, produção de neurotransmissores e saúde cerebral. Sua deficiência pode causar:
Tristeza profunda
Falta de energia
Confusão mental
Perda de memória
Sensação de apatia
Formigamentos e dores
Em muitos casos, a pessoa é diagnosticada com depressão ou ansiedade, mas o uso de antidepressivos não traz melhora, justamente porque a raiz do problema é nutricional.
Vitamina D3
Conhecida como a “vitamina do sol”, a vitamina D3 atua diretamente no cérebro e no sistema imunológico. Níveis baixos estão associados a:
Humor deprimido
Falta de motivação
Aumento da ansiedade
Maior risco de depressão
Pessoas com pouca exposição solar, alterações intestinais ou absorção inadequada costumam apresentar deficiência mesmo vivendo em países ensolarados.
Cortisol (hormônio do estresse)
O cortisol é fundamental para a energia, foco e resposta ao estresse. Tanto níveis muito baixos quanto muito altos podem causar:
Cansaço constante
Desânimo
Sensação de sobrecarga emocional
Dificuldade de concentração
Queda da imunidade
A chamada “fadiga adrenal” ou desregulação do eixo do estresse pode simular quadros depressivos importantes.
O Papel do Intestino na Saúde Mental
Hoje já se sabe que o intestino é considerado o “segundo cérebro”. Cerca de 90% da serotonina (neurotransmissor do bem-estar) é produzida no trato intestinal.
Desequilíbrios da flora intestinal, inflamações, intolerâncias alimentares e má absorção de nutrientes podem levar a:
Deficiências vitamínicas
Inflamação sistêmica
Alterações de humor
Ansiedade e sintomas depressivos
Cuidar do intestino é cuidar diretamente
da mente.
TDAH, Autismo e a Importância do Equilíbrio Nutricional
Pessoas com TDAH e Transtorno do Espectro Autista (TEA) possuem maior sensibilidade neurológica e metabólica. Para elas, manter níveis adequados de vitaminas e minerais não é apenas importante — é essencial.
Deficiências de B12, D3, ferro, magnésio, zinco e alterações intestinais podem intensificar:
Desatenção
Irritabilidade
Crises emocionais
Ansiedade
Dificuldade de regulação emocional
Um acompanhamento individualizado, olhando exames laboratoriais, alimentação e saúde intestinal, pode fazer uma diferença profunda na qualidade de vida.
Nem tudo é “só emocional”
É fundamental reforçar: nem todo quadro de tristeza, ansiedade ou desânimo é exclusivamente psicológico. Muitas pessoas passam anos usando medicações para depressão e ansiedade sem melhora significativa, porque a causa real não foi investigada.
Isso não invalida o tratamento psicológico ou psiquiátrico — pelo contrário. O ideal é uma abordagem integrativa, que una:
Avaliação emocional
Exames laboratoriais
Correção de deficiências nutricionais
Cuidado com o intestino
Estilo de vida equilibrado
Antes de rotular alguém como “deprimido”, é preciso escutar o corpo com atenção. Às vezes, o que parece depressão é um pedido silencioso do organismo por nutrientes, equilíbrio hormonal e cuidado integral.
Cuidar da mente é também cuidar do corpo.
E cuidar do corpo, muitas vezes, é o primeiro passo para aliviar a dor emocional.
Importante: Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou profissional especializada. Sempre procure acompanhamento adequado.




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