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Segurança alimentar: o impacto dos aditivos alimentares, transgênicos e contaminantes na nossa saúde


O padrão alimentar moderno, caracterizado pelo alto consumo de ultraprocessados, cheios de aditivos alimentares, que muitas vezes passam despercebidos pelas pessoas, pode estar contribuindo para o aparecimento e prevalência de muitos problemas de saúde!


Nesse contexto, a segurança alimentar vai muito além da simples disponibilidade de alimentos. Ela envolve garantir que o que chega até o nosso prato seja nutritivo, livre de contaminantes e produzido de forma honesta e segura. No entanto, como a busca por produtos prontos e práticos tem ganhado um importante espaço na dieta da população e esses produtos alimentícios ultraprocessados são repletos de aditivos alimentares, é fundamental a conscientização nesse assunto.


Os aditivos alimentares (como corantes, conservantes, aromatizantes e realçadores de sabor) são amplamente utilizados pela indústria para melhorar a aparência de um produto e o tempo de prateleira dos mesmos para a venda, ou seja, o tempo que ele vai durar sem ter alterações ou estragar. Embora estes aditivos alimentares sejam aprovados por órgãos regulatórios, estudos apontam que o consumo frequente e combinado de diferentes aditivos pode gerar efeitos cumulativos e danosos à saúde.


Pesquisas têm associado o consumo excessivo de determinados aditivos com problemas comuns de saúde, como:


  • Distúrbios gastrointestinais e inflamatórios (ex.: nitratos e nitritos podem formar compostos carcinogênicos como as nitrosaminas);

  • Alergias e hiperatividade em crianças, especialmente ligadas a corantes artificiais como tartrazina (E102) e vermelho 40;

  • Alterações no microbioma intestinal, influenciando o metabolismo e a imunidade.


Como nutricionista, sempre oriento para que meus pacientes, ao realizar suas compras, observem o rótulo dos produtos e leiam a lista de ingredientes: se tem algum nome ali que que não aparente ser comida de verdade, não leve esse produto para sua casa! Isso não é comida, é um produto alimentício com aditivos xenobióticos (do grego xenos = que significa estranho e bio que significa vida; portanto são compostos estranhos a vida).


Quando seu corpo se expõe a esses xenobióticos, que podem ser qualquer aditivo ou contaminante estranho, ele terá que fazer o processo de eliminação dessas substâncias, o que vai exigir muito esforço do seu fígado, que é o principal órgão responsável pela eliminação de toxinas. Deste importante trabalho do fígado, que surgiu o famoso termo “detox”, contudo, o processo de destoxificação é a capacidade que a célula tem de reduzir a toxicidade de uma substância xenobiótica, produzindo um outro composto menos deletério ou mais facilmente excretável na urina ou fezes.


Assim, é importante saber que o excesso de exposição a toxinas, aditivos e contaminantes presentes em produtos alimentícios está sobrecarregando o seu organismo para lidar com toda essa bagunça. E o pior, se você basicamente só come estes produtos prontos (processados e ultraprocessados), pobres em nutrientes importantes, você ainda está contribuindo para dificultar o esse processo de destoxificação. Isso porque, para que seu corpo possa realizar esse processo de forma adequada, ele necessita de nutrientes importantes, como vitaminas, minerais e compostos bioativos, presentes na comida de verdade (legumes, frutas, verduras, grãos, castanhas, etc.).


Por isso, vamos ver um pouco mais detalhado sobre os principais aditivos alimentares que você pode estar consumindo todos os dias:


1. Corantes artificiais

Usados para tornar os alimentos mais atrativos, especialmente produtos voltados ao público infantil, como refrigerantes, balas, gelatinas, cereais, iogurtes e outros.

Exemplos comuns e riscos:


  • Tartrazina (Amarelo 5 – E102): associada a reações alérgicas, urticária e crises de asma, além de possível ligação à hiperatividade em crianças.

  • Vermelho 40 (E129): estudos indicam potencial efeito citotóxico e genotóxico em altas doses.

  • Amarelo crepúsculo (E110): pode causar hipersensibilidade e alterações comportamentais em crianças.

 

 2. Conservantes

Esses aditivos evitam o crescimento de microrganismos e prolongam o tempo de prateleira dos alimentos. São amplamente usados em carnes processadas, embutidos, molhos e produtos de panificação.

Exemplos comuns e riscos:


  • Nitrito e nitrato de sódio (E249–E250): quando aquecidos ou em meio ácido (como no estômago), podem formar nitrosaminas, compostos potencialmente carcinogênicos (relacionados a câncer de estômago e colorretal).

  • Benzoato de sódio (E211): pode causar reações alérgicas e irritação gástrica.

  • Sorbato de potássio (E202): geralmente seguro em pequenas quantidades, mas o consumo excessivo pode gerar alterações no microbioma intestinal e irritação da mucosa.

 

 3. Edulcorantes (adoçantes – considerando os artificiais)

Utilizados para substituir o açúcar, com um baixo teor calórico. Encontrados em refrigerantes “zero”, sobremesas light, balas e produtos diet.

Exemplos comuns e riscos:


  • Aspartame: seu consumo frequente pode levar a quadros de dores de cabeça, alterações de humor e efeitos neurotóxicos em pessoas sensíveis; também é estudado por seu possível impacto metabólico.

  • Sacarina e ciclamato: possíveis efeitos metabólicos e cardiovasculares, além de alterações no microbioma intestinal e distúrbios gastrointestinais.

  • Sucralose: pode alterar o microbioma intestinal, reduzir sensibilidade à insulina e interferir no metabolismo da glicose.

 

4. Realçadores de sabor

O mais conhecido é o glutamato monossódico, utilizado em sopas, temperos industrializados, salgadinhos e comidas prontas.

Riscos potenciais:


  • Em indivíduos sensíveis, pode causar sintomas como dor de cabeça, rubor facial e palpitações.

  • Estudos recentes sugerem que o consumo crônico e elevado pode afetar funções neurológicas, o apetite e o metabolismo energético.

 

5. Emulsificantes e estabilizantes

Usados para manter textura e consistência de produtos como sorvetes, margarinas e molhos prontos.

Exemplos e riscos:


  • Carboximetilcelulose (CMC) e Polissorbato 80: associados a inflamação e disbiose intestinal, podendo contribuir para doenças inflamatórias intestinais.

  • Lecitina de soja (natural): geralmente segura, mas quando proveniente de soja transgênica, pode conter resíduos de glifosato, um agrotóxico.

 

6. Aromatizantes artificiais

Usados para simular sabores naturais (como por exemplo: morango, baunilha, manteiga, etc.) em biscoitos, bebidas e sobremesas industrializadas.

Riscos:


·         Muitos são misturas sintéticas complexas que podem conter substâncias irritantes ou tóxicas, e alguns compostos derivados de petróleo são potenciais disruptores endócrinos (substâncias químicas que interferem no sistema endócrino, imitando, bloqueando ou alterando a ação dos nossos hormônios naturais).

 

7. Transgênicos: avanços biotecnológicos e desafios éticos

Os alimentos geneticamente modificados (OGMs) foram desenvolvidos com o objetivo de aumentar a produtividade agrícola e reduzir o uso de pesticidas. Apesar desses benefícios, a segurança dos transgênicos ainda é motivo de muito debate.


Alguns estudos apontam potenciais riscos de:


  • Resistência bacteriana, devido ao uso de genes marcadores de antibióticos;

  • Efeitos tóxicos ou alérgicos de proteínas modificadas.

 

8. Outros riscos invisíveis: agrotóxicos, microplásticos e embalagens


A segurança alimentar também está ameaçada por contaminantes químicos e ambientais. O uso intensivo de agrotóxicos na agricultura convencional expõe consumidores a resíduos potencialmente tóxicos, associados a distúrbios hormonais, neurológicos e até mesmo a maior risco de câncer.


Além disso, microplásticos e bisfenóis presentes em embalagens plásticas podem migrar para os alimentos, interferindo no sistema endócrino e aumentando o risco de doenças metabólicas.


Assim, suas escolhas diárias podem impactar sua saúde e da sua família de forma significativa. Portanto, trago alguns caminhos para uma alimentação mais segura:


  • Priorizar alimentos in natura e minimamente processados, como orienta o Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2022);

  • Optar por alimentos orgânicos sempre que possível, reduzindo a exposição a agrotóxicos;

  • Ler os rótulos com atenção, evitando produtos com listas de ingredientes extensas e com presença de aditivos;

  • Valorizar a agricultura familiar e local, que tende a adotar práticas mais sustentáveis;

  • Armazenar os alimentos em recipientes de vidro, para evitar o risco de contaminação com microplástico.


Desta forma, a segurança alimentar é um pilar essencial da saúde pública e ambiental. O consumo consciente, aliado à escolha de alimentos mais naturais e à redução de aditivos e contaminantes, é uma das formas mais eficazes de proteger o organismo, o meio ambiente e as futuras gerações (isso mesmo, suas escolhas de agora modulam sua epigenética e como seus genes serão transmitidos para sua descendência).


Embora o uso de aditivos seja regulamentado e seguro dentro dos limites estabelecidos (sendo que o problema maior está no consumo frequente e combinado deles) especialmente em dietas baseadas em produtos ultraprocessados, a reeducação alimentar e o resgatar do padrão alimentar natural, valorizando alimentos in natura, preparações caseiras e produtos com rótulos curtos e reconhecíveis é fundamental.


Por isso lembre-se: quanto mais industrializado o alimento, maior a probabilidade de conter aditivos e menor o valor nutricional real. Assim, acredite, o problema não é a exceção, mas o que você escolhe comer, fazer, viver, pensar todos os dias!

 

Referências:


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