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  • Polycrise

    Vivemos um tempo estranho. Não estranho no sentido do inesperado, mas estranho porque tudo parece pesado demais para ser ignorado e banal demais para provocar reação. O mundo não grita — ele zune. Um ruído constante, grave, que não nos deixa dormir direito, não nos deixa planejar direito, não nos deixa respirar fundo sem a sensação de que algo está fora do lugar. Chamaram isso de polycrise, mas o nome é quase irrelevante diante da experiência. Polycrise não é um conceito acadêmico; é acordar cansado antes mesmo de começar o dia. É sentir que o amanhã existe, mas não se oferece como promessa. Apenas como continuação. Durante décadas fomos treinados para acreditar que a história avançava em linha reta. Que as crises vinham, causavam estrago, e depois iam embora, como tempestades de verão. Hoje não. Hoje elas se acumulam. Se sobrepõem. Se misturam. Econômica, climática, política, social, informacional, emocional. Não dá mais para separar. Não dá mais para apontar um culpado único. A polycrise não tem rosto, não tem endereço fixo, não tem prazo de validade. Ela se instala como um clima. E quando o clima muda, não adianta reclamar do dia — é preciso aprender a viver sob ele. Talvez o aspecto mais cruel desse tempo não seja o medo explícito, mas a erosão silenciosa do futuro. Não se trata de imaginar cenários apocalípticos, mas de algo mais sutil: a dificuldade de desejar. As pessoas já não sonham como antes. Não por falta de ambição, mas por excesso de incerteza. Planejar a longo prazo soa quase ingênuo. Projetar uma vida daqui a dez anos parece um exercício de ficção científica. O futuro deixou de ser um território de conquista e virou uma hipótese frágil, instável, condicionada a fatores que não controlamos. E quando o futuro encolhe, o presente pesa. Isso muda tudo. Muda a forma como trabalhamos, como nos relacionamos, como consumimos, como nos percebemos. Trabalhar deixou de ser apenas uma busca por realização e passou a ser uma tentativa constante de não cair. Relacionamentos carregam menos idealização e mais cautela. Há menos entrega, menos promessa, menos romantização do amanhã. Não porque as pessoas se tornaram frias, mas porque aprenderam, muitas vezes à força, que criar expectativa demais dói caro. Amar, hoje, exige cálculo emocional. Confiar virou um gesto quase revolucionário. A polycrise também alterou nossa relação com o tempo. Tudo acontece rápido demais, mas a sensação é de estagnação. Dias correm, semanas desaparecem, meses se acumulam, e ainda assim há a impressão de que estamos presos no mesmo lugar. Um eterno janeiro psicológico, onde o relógio anda, mas a vida parece suspensa. O tempo cronológico avança, mas o tempo emocional emperra. E isso gera frustração, ansiedade, irritação. Estamos sempre atrasados para algo que não sabemos exatamente o que é. Nesse cenário, o cansaço deixa de ser consequência e vira estado permanente. Não é mais sinal de esforço extremo; é condição básica. Estamos cansados antes de tentar, cansados de tentar, cansados de explicar o cansaço. A exaustão se normalizou a tal ponto que virou identidade coletiva. Quem não está cansado parece deslocado, quase alienado. Descansar gera culpa. Parar gera medo. Silenciar gera ansiedade. A polycrise não nos deixa desligar porque ela se alimenta da atenção constante. Há sempre algo acontecendo, algo errado, algo urgente demais para ser ignorado. A tecnologia, que prometia aliviar, acabou amplificando. Nunca tivemos tanto acesso à informação e nunca nos sentimos tão desinformados. O excesso não esclarece; confunde. A avalanche de opiniões, análises, indignações e verdades absolutas cria um campo de batalha permanente dentro da cabeça. Não há tempo para processar. Tudo exige reação imediata. Pensar virou luxo. Sentir virou risco. A mente não descansa porque está sempre sendo convocada a opinar, escolher um lado, se posicionar. O silêncio, nesse contexto, soa quase como omissão. Mas talvez o efeito mais profundo da polycrise seja interno, invisível, difícil de medir. Ela corrói o sentido. Não o sentido grandioso da existência, mas o sentido cotidiano das coisas. Por que fazer? Para quê insistir? Onde isso vai dar? Perguntas que antes eram respondidas com alguma confiança hoje ficam em aberto. O discurso do progresso perdeu credibilidade. A promessa de recompensa futura soa vazia. Trabalhar duro não garante estabilidade. Ser correto não garante segurança. Planejar não garante resultado. E quando as relações entre causa e consequência se quebram, o indivíduo se vê perdido em um sistema que exige esforço constante sem oferecer retorno simbólico equivalente. É nesse vazio que surgem os movimentos de retração. As pessoas diminuem o mundo para torná-lo habitável. Reduzem o campo de ação. Cuidam de pequenas coisas. Plantam, organizam, repetem rotinas, criam rituais mínimos. Não por nostalgia, mas por necessidade. É uma tentativa de recuperar algum controle em meio ao caos difuso. O trabalho manual volta a ter valor não porque seja mais produtivo, mas porque é tangível. Você vê o resultado. Você toca. Você entende o processo. Em um mundo abstrato demais, o concreto vira refúgio. O consumo acompanha essa mudança. O desejo aspiracional perde força. Ostentar parece deslocado. O luxo barulhento soa ofensivo. Cresce o valor do que dura, do que acolhe, do que não exige explicação. Compra-se menos pelo status e mais pelo conforto emocional. Não é pobreza de imaginação; é economia de energia psíquica. A polycrise nos ensinou que tudo pode ruir rápido demais para justificar excessos. E, ao mesmo tempo, nos mostrou que pequenas estabilidades têm valor imenso. Na cultura, esse clima se traduz em narrativas mais cruas, menos polidas. O herói impecável já não convence. A história de sucesso meteórico soa falsa. O público se reconhece mais em trajetórias quebradas, em processos longos, em tentativas falhas. A estética da imperfeição ganha espaço porque reflete a experiência real. Não queremos mais promessas de felicidade plena; queremos relatos honestos de sobrevivência cotidiana. A arte deixa de ser fuga e passa a ser espelho. Há também um deslocamento moral importante. A polycrise expõe limites. Limites do crescimento infinito, da exploração contínua, da performance sem pausa. Ela revela que não somos máquinas e que o sistema que tenta nos tratar como tal cobra um preço alto demais. Isso não gera imediatamente uma revolução externa, mas provoca revoluções internas silenciosas. Pessoas repensam prioridades, redefinem sucesso, questionam narrativas herdadas. Nem sempre encontram respostas melhores, mas já não aceitam tão facilmente as antigas. O problema é que esse processo não é romântico. Ele dói. Ele isola. Ele confunde. A transição entre um mundo que prometia e um mundo que apenas exige não é suave. Há luto envolvido. Luto por futuros imaginados, por versões de nós mesmos que talvez não existam mais. E o luto, quando não é reconhecido, vira irritação, cinismo, apatia. Parte da agressividade que vemos hoje nasce daí: da frustração de quem foi preparado para um jogo que mudou no meio da partida. Ainda assim, há algo de profundamente humano emergindo desse cenário. A polycrise, ao desmontar certezas, expõe fragilidades compartilhadas. Ela lembra, mesmo que de forma dura, que ninguém está completamente no controle. Isso cria a possibilidade de empatia real, não performática. Uma empatia que não se baseia em discursos prontos, mas no reconhecimento silencioso de que todos estão tentando se equilibrar em terreno instável. Talvez o maior aprendizado desse tempo seja a redefinição de força. Força já não é acelerar sem parar, produzir sem questionar, vencer a qualquer custo. Força é permanecer. É acordar quando tudo parece pesado. É continuar mesmo sem garantias. É escolher o cuidado em um ambiente que recompensa a indiferença. É sustentar algum tipo de ética pessoal quando as estruturas falham. Permanecer virou um ato político, mesmo quando ninguém está olhando. A polycrise não anuncia o fim do mundo, mas o fim de uma ilusão. A ilusão de que o progresso era automático, de que o sistema cuidaria de tudo, de que bastava seguir o roteiro. O roteiro acabou. O que temos agora são fragmentos, tentativas, ajustes constantes. Não há manual. Não há mapa claro. Há apenas a travessia. E toda travessia exige lentidão, atenção e resistência. Não a resistência heroica dos discursos inflamados, mas a resistência cotidiana, silenciosa, quase invisível. Aquela que se manifesta no trabalho bem feito mesmo quando ninguém reconhece. No cuidado com o outro mesmo quando não há retorno. Na escolha de não endurecer completamente, mesmo quando o mundo parece empurrar para isso. Se existe algo de transformador nesse tempo é a chance de reconstruir sentido a partir do real, não da promessa. Um sentido menor, talvez, menos grandioso, mas mais honesto. Um sentido que não depende de garantias externas, mas de coerência interna. Não é pouco. É tudo o que temos. A polycrise nos tirou o chão, mas também nos obrigou a olhar para onde pisamos. E talvez seja aí, nesse contato direto com a realidade, que algo novo esteja sendo gestado. Não um novo mundo ideal, mas um mundo possível. Mais consciente de seus limites. Mais cuidadoso com seus excessos. Mais humano, justamente porque não tem mais ilusões a sustentar. No fim, não se trata de vencer a polycrise. Trata-se de atravessá-la sem perder completamente quem somos. E isso, hoje, já é um feito imenso.

  • A influência indígena e africana na formação da cultura brasileira

    A cultura brasileira é resultado de um longo e complexo processo histórico marcado pelo encontro — muitas vezes violento — entre diferentes povos. Entre os principais pilares dessa formação estão as culturas indígena e africana, que deixaram marcas profundas e duradouras na identidade nacional. Muito além de contribuições pontuais, esses grupos moldaram hábitos, saberes, expressões artísticas, crenças e modos de viver que definem o Brasil contemporâneo.  A herança indígena Antes da chegada dos europeus, o território que hoje chamamos de Brasil era habitado por centenas de povos indígenas, com línguas, costumes e organizações sociais diversas. Essa presença ancestral deixou contribuições fundamentais que ainda fazem parte do cotidiano brasileiro. Na língua, inúmeras palavras de origem indígena foram incorporadas ao português falado no Brasil, especialmente termos ligados à natureza, alimentação e geografia, como abacaxi, mandioca, pipoca, tatu, capim, Ipanema e Paraná. O próprio conhecimento do território — rios, florestas e caminhos — foi mediado pelos povos originários. Na alimentação, a influência indígena é central. Produtos como mandioca, milho, batata-doce, amendoim e diversas frutas nativas formam a base da culinária brasileira. Técnicas como a produção da farinha de mandioca e o uso de ervas medicinais refletem um profundo conhecimento da natureza, transmitido de geração em geração. Além disso, os indígenas contribuíram para a relação sustentável com o meio ambiente, com práticas de cultivo, caça e coleta que respeitam os ciclos naturais. Mesmo hoje, esses saberes tradicionais são reconhecidos como essenciais para a preservação ambiental e a biodiversidade.    A contribuição africana: resistência, criatividade e identidade A presença africana no Brasil se intensificou a partir do século XVI, com a chegada forçada de milhões de pessoas escravizadas trazidas de diferentes regiões da África. Apesar da violência da escravidão, esses povos resistiram e preservaram elementos culturais que se tornaram centrais na cultura brasileira. Na religiosidade, tradições africanas deram origem a manifestações como o candomblé e a umbanda, que combinam elementos africanos, indígenas e cristãos. Essas religiões influenciaram festas populares, rituais, músicas e a própria visão de mundo de grande parte da população. A música e a dança são áreas em que a influência africana é especialmente visível. Ritmos como o samba, o maracatu, o jongo e o afoxé têm raízes africanas e expressam história, resistência e identidade. O samba, hoje símbolo nacional, nasceu em comunidades negras e carrega memórias da diáspora africana. Na culinária, ingredientes como dendê, quiabo, feijão-preto e técnicas de preparo herdadas da África deram origem a pratos emblemáticos, como acarajé, vatapá, caruru e feijoada. Esses alimentos não são apenas refeições, mas expressões culturais e históricas.     Cultura brasileira:  encontro, miscigenação e desigualdade A cultura brasileira não pode ser compreendida sem reconhecer que esse encontro entre indígenas, africanos e europeus ocorreu em um contexto de dominação, exploração e apagamento cultural. Durante séculos, as contribuições indígenas e africanas foram desvalorizadas ou marginalizadas, enquanto a cultura europeia era vista como dominante. No entanto, essas culturas sobreviveram por meio da resistência, da oralidade, das práticas comunitárias e da adaptação. Hoje, há um movimento crescente de valorização das identidades indígenas e afro-brasileiras, impulsionado por debates sobre racismo, diversidade cultural e justiça histórica. Reconhecer a influência indígena e africana na formação da cultura brasileira é fundamental para compreender quem somos como sociedade. Essa valorização contribui para o combate ao preconceito, fortalece identidades historicamente silenciadas e promove uma visão mais justa e plural da história do Brasil. A cultura brasileira é, acima de tudo, resultado da diversidade. Valorizar suas raízes indígenas e africanas não é apenas um resgate do passado, mas um passo essencial para a construção de um futuro mais inclusivo e consciente.

  • A BELEZA DURADOURA NÃO É FRUTO DE PROCEDIMENTOS ISOLADOS, MAS DE UM ESTILO DE VIDA

    1.   Estética: De Fora para Dentro ​Historicamente, a estética era vista como algo superficial. Hoje, o conceito evoluiu para a estética da saúde. A pele radiante, o tônus muscular e a postura não são apenas atributos visuais; são indicadores biológicos de um organismo que funciona bem. ​Quando falamos em estética, estamos falando da preservação do colágeno, da renovação celular eficiente e do controle de processos inflamatórios. Esses processos dependem diretamente de "matéria-prima" (nutrição) e de "estímulo" (atividade física). Sem essa base, qualquer intervenção cosmética terá resultados efêmeros. ​ 2. Alimentação: O Combustível da Beleza ​A nutrição é o fator determinante para a composição corporal e a saúde dos tecidos. Não se trata apenas de "contar calorias", mas de densidade nutricional. ​O Papel dos Macronutrientes ​Proteínas: São os tijolos do corpo. Essenciais para a construção de massa magra e para a síntese de colágeno e elastina, que mantêm a firmeza da pele. ​Gorduras Saudáveis: Ômega-3 e gorduras monoinsaturadas mantêm a barreira lipídica da pele, conferindo hidratação natural e combatendo o envelhecimento precoce. ​Carboidratos Complexos: Fornecem a energia necessária para os treinos, evitando que o corpo queime massa muscular para obter combustível. ​Micronutrientes e Antioxidantes ​A estética é combatida diariamente pelos radicais livres. Vitaminas como a C (fundamental para o colágeno) e a E (proteção celular), além de minerais como o Zinco e o Magnésio, atuam como um "exército" interno contra o estresse oxidativo, prevenindo rugas e manchas. ​A hidratação é o cosmético mais barato e eficaz do mundo. A água é responsável por transportar nutrientes para as células e eliminar toxinas que deixam a pele com aspecto opaco e cansado. ​ 3. Atividade Física: O Escultor do Corpo ​Se a alimentação fornece o material, a atividade física é o arquiteto. O exercício molda a estética através de dois caminhos principais: a queima de gordura e a hipertrofia muscular. ​Musculação e Tônus ​Muitas pessoas buscam o emagrecimento focando apenas em cardio, mas a musculação é a chave para a estética. Músculos ativos elevam a taxa metabólica basal, fazendo com que o corpo queime mais calorias mesmo em repouso. Além disso, o músculo preenche o espaço sob a pele, combatendo a flacidez e criando as curvas e definições desejadas. ​Benefícios Metabólicos ​O exercício físico melhora a sensibilidade à insulina. Isso significa que o açúcar no sangue é melhor aproveitado pelos músculos em vez de ser estocado como gordura abdominal, que é esteticamente indesejada e prejudicial à saúde cardiovascular. Além disso, o suor ajuda na desintoxicação dos poros e a circulação sanguínea otimizada traz um "glow" natural ao rosto. 4. A Sinergia ​O grande erro de muitos é tentar compensar uma má alimentação com excesso de exercícios, ou vice-versa. A estética de alta performance exige harmonia. ​Pré e Pós-Treino: O que você come antes do exercício define a intensidade da sua atividade. O que você come depois define como seu corpo irá se recuperar e crescer. ​Descanso e Sono: É durante o sono que o corpo libera o hormônio do crescimento (GH) e realiza a reparação tecidual. Sem descanso, o cortisol (hormônio do estresse) sobe, favorecendo o acúmulo de gordura e a degradação do colágeno. ​Saúde Mental: O estresse crônico reflete na aparência através de olheiras, acne e queda de cabelo. A atividade física atua aqui como um regulador emocional, liberando endorfina e serotonina. ​ 5. Obstáculos e Mitos Comuns ​No caminho para a estética ideal, muitos caem em armadilhas que prejudicam a saúde: ​Dietas Restritivas Demais: Causam a perda de massa muscular (aspecto de "flacidez magra") e podem gerar distúrbios alimentares. Suplementação sem Orientação: Suplementos ajudam, mas não substituem comida de verdade. O uso indiscriminado pode sobrecarregar órgãos como rins e fígado. ​Busca por Resultados Imediatos: A estética duradoura é uma maratona, não um sprint. Mudanças drásticas e rápidas raramente são sustentáveis e costumam levar ao efeito sanfona. ​ 6. O Equilíbrio   ​A estética não deve ser o fim único, mas sim a consequência natural de um corpo bem cuidado. Quando você nutre suas células com alimentos de qualidade e desafia seus limites físicos com regularidade, a beleza torna-se um reflexo inevitável da sua vitalidade interna. ​O segredo não está na perfeição, mas na consistência. Pequenas escolhas diárias — preferir a escada ao elevador, a fruta ao doce processado, a água ao refrigerante — acumulam-se ao longo do tempo saúde, disciplina e autoestima.

  • Canetas emagrecedoras: será esse o futuro do emagrecimento?

    Quando falamos em emagrecimento, logo vem a lembrança de medicamentos como Mounjaro (tirzepatida) que, nos últimos anos, ganharam destaque por sua eficácia no controle glicêmico e na promoção de perda de peso em pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade. Esses medicamentos agem nos hormônios GLP-1 e GIP para controlar a glicose e promover perda de peso, aumentando a saciedade e reduzindo o apetite. Apesar de promissores no curto prazo, esses medicamentos não substituem estratégias sustentáveis de estilo de vida e levantam questões sobre efeitos a longo prazo, acessibilidade e sustentabilidade dos resultados. Mas, para podermos compreender os benefícios e limitações de tais medicações, é preciso entender o   que são análogos de GLP-1 e como funcionam. O GLP-1 é um hormônio liberado pelo intestino após a ingestão de alimentos – esse é um processo natural que ocorre no nosso organismo. O GLP-1: estimula a secreção de insulina de forma dependente da glicose; reduz a liberação de glucagon; retarda o esvaziamento gástrico; aumenta a sensação de saciedade. Esse mecanismo é essencial para gerar saciedade e não sentirmos mais desejo de continuar alimentando. Os medicamentos agonistas de GLP-1 são moléculas sintéticas que se ligam aos mesmos receptores, potencializando esses efeitos fisiológicos, o que causa a redução do apetite e da ingestão calórica observada. Portanto, esses medicamentos mimetizam os efeitos que já ocorrem no nosso corpo, acentuando essa resposta. Embora estes medicamentos sejam úteis e possuem a sua correta indicação para pacientes que, de fato, irão se beneficiar dos mesmos, esses medicamentos podem causar efeitos adversos gastrointestinais (náuseas, diarreia) e, em casos raros, complicações mais graves como pancreatite. Ainda, estudos recentes já demonstram uma grande chance de reganho do peso após a interrupção do uso da medicação, além de alterações metabólicas reapareceram, como hipertensão, alteração na glicemia e colesterol, além de outros marcadores cardiometabólicos regredirem 2 . Isso reforça que a obesidade é uma condição crônica que exige abordagem abrangente, incluindo hábitos alimentares ajustados e atividade física contínua, não apenas a utilização de medicamentos. Por isso, a utilização destes medicamentos deve ser realizada com uma abordagem multidisciplinar, onde a nutrição entra como um ponto chave, pois, após finalizar o tratamento medicamentoso, estratégias nutricionais que ajudem a modular a fome e a saciedade são essenciais. Nesse sentido, pensando em um emagrecimento com e sem a medicação, algumas combinações de alimentos ganham uma atenção especial. Começando pelos alimentos ricos em proteínas e fibras, que estimulam a liberação de hormônios anorexigênicos, incluindo GLP-1 endógeno, PYY e colecistoquinina (CCK), aumentando a saciedade e reduzindo a ingestão calórica. Ainda, uma dieta com carboidratos de baixo índice glicêmico e alta densidade de micronutrientes também melhora a regulação glicêmica e reduz picos de fome, favorecendo um balanço energético negativo sustentável. Falando claramente, é fundamental incluir refeições com comida de verdade (ou seja, sem ultraprocessados e fast food ), considerando alimentos coloridos, com texturas diferentes e com porções adequadas de proteínas. Por isso, quando pensamos em um tratamento para um emagrecimento saudável e sustentável, esses pontos devem estar muito bem ajustados. Embora nenhum alimento possa replicar o poder de um agonista sintético de GLP-1, evidências apontam que certos padrões alimentares e grupos de alimentos podem modular a liberação de GLP-1 endógeno e apoiar a perda de peso, como por exemplo: Fibras, como as encontradas em: legumes; aveia, chia, psyllium; frutas (maçã, pêra); verduras e grãos integrais;   Proteínas de alta qualidade, presentes em alimentos como: peixes; ovos; carnes magras; laticínios.   Gorduras saudáveis, como as gorduras mono e poli-insaturadas, presente em alimentos como : azeite de oliva extra virgem; abacate; nozes; sementes; peixes ricos em ômega-3.   Corroborando esses pontos, uma dieta com baixo teor de açúcares simples e ultraprocessados reduz os picos de glicose e melhora os padrões de ingestão alimentar. Isso porque alimentos ricos em carboidratos e açúcares não geram saciedade e aumentam a compulsão por mais alimentos palatáveis e calóricos. Assim, os análogos de GLP-1 representam uma ferramenta importante no arsenal terapêutico contra obesidade e diabetes tipo 2, sendo sim, uma importante alternativa para muitos pacientes. No entanto, sem uma dieta bem estruturada, sem intervenções no estilo de vida, no padrão alimentar e mental em relação à comida, seus efeitos tendem a ser transitórios e menos sustentáveis. Por isso, a nutrição clínica, focada em padrões alimentares balanceados e adaptados ao indivíduo, continua sendo a base para um emagrecimento saudável, com evidências consistentes apoiando esses caminhos para a perda e a manutenção do peso e melhorando a saúde metabólica e alvo à longevidade.   Referências: 1.      AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Pharmacologic approaches to glycemic treatment: Standards of Medical Care in Diabetes . Diabetes Care , v. 47, supl. 1, p. S158–S178, 2024.DOI: https://doi.org/10.2337/dc24-S009 2.      ARONNE L. J. et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. NIH, 331(1):38-48, Jan 2024. doi: 10.1001/jama.2023.24945. 3.      BLUNDELL, J. et al. Role of satiety hormones in appetite control and energy balance . Nature Reviews Endocrinology , v. 19, n. 2, p. 87–102, 2023.DOI: https://doi.org/10.1038/s41574-022-00740-8 4.      DAVIES, M. et al. Semaglutide 2.4 mg once a week in adults with overweight or obesity . New England Journal of Medicine , v. 384, n. 11, p. 989–1002, 2021.DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2032183 5.      DELZENNE, N. M. et al. Dietary fibres and gut microbiota in the context of obesity and metabolic syndrome . Nature Reviews Endocrinology , v. 16, n. 10, p. 611–626, 2020.DOI: https://doi.org/10.1038/s41574-020-0387-6 6.      Drucker, D. J. Mechanisms of action and therapeutic application of glucagon-like peptide-1 . Cell Metabolism , v. 27, n. 4, p. 740–756, 2018.DOI: https://doi.org/10.1016/j.cmet.2018.03.001 7.      HALL, K. D. et al. Weight regain after withdrawal of semaglutide . Diabetes, Obesity and Metabolism , v. 24, n. 8, p. 1553–1564, 2022.DOI: https://doi.org/10.1111/dom.14650 8.      JAKUBOWICZ, D. et al. High-protein breakfast enhances weight loss and improves glycemic control . Obesity , v. 25, n. 2, p. 364–373, 2017.DOI: https://doi.org/10.1002/oby.21704

  • O Impacto das Telas nas Crianças e Adolescentes: Equilibrando Tecnologia e Saúde"

    Com o recesso escolar, a rotina das crianças e adolescentes muda, e os limites em relação ao uso de telas tendem a relaxar. Isso resulta em um aumento significativo no tempo gasto em frente a televisão, celulares e tablets - um estudo do JAMA Pediatrics aponta um crescimento de 40% a 70% durante as férias. Embora pareça inofensivo, esse excesso pode ter consequências sérias para a saúde infantil. A luz azul dos dispositivos, por exemplo, pode atrasar o sono em até duas horas. O problema vai além do sono: o cérebro em desenvolvimento é afetado pela descarga de dopamina causada pelas telas, alterando o comportamento. A falta de atividades físicas para compensar essa excitação pode levar a irritabilidade e baixa tolerância à frustração. A ciência confirma que o uso noturno de eletrônicos prejudica o sono REM, essencial para a regulação emocional e consolidação da memória. Como resultado, a criança acorda cansada, o que piora o humor e cria um ciclo vicioso de estresse e busca por mais gratificação digital. A falta de estrutura na rotina também potencializa conflitos domésticos, já que a transição entre o mundo virtual e o real se torna dolorosa sem regras claras. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de retomar o controle. A ausência de limites cria tensão familiar, e o uso excessivo de telas pode impactar significativamente o comportamento e desenvolvimento das crianças. É fundamental encontrar um equilíbrio saudável. O uso excessivo de telas pode ter impactos significativos no comportamento e desenvolvimento das crianças e adolescentes. Alguns dados alarmantes incluem: - 1 em cada 3 crianças entre 8 e 12 anos usa telas por mais de 4 horas por dia (estudo da Common Sense Media). - 75% das crianças entre 8 e 18 anos têm um dispositivo móvel em seu quarto (estudo da Pew Research Center). - O uso excessivo de telas é associado a um aumento de 10% no risco de problemas de comportamento em crianças (estudo da JAMA Pediatrics). - Crianças que usam telas por mais de 2 horas por dia têm um risco aumentado de problemas de comportamento, como agressividade e dificuldade de concentração. - A exposição excessiva a telas pode afetar a capacidade das crianças de regular suas emoções, levando a problemas como ansiedade e depressão. - O uso excessivo de telas pode levar a dificuldades sociais, como isolamento e dificuldade de interagir com outras pessoas. Para proteger o desenvolvimento dos filhos, é recomendável: - Higiene do sono: corte o uso de telas pelo menos uma hora antes de dormir; - Pausas ativas: intercale o tempo de eletrônicos com brincadeiras ao ar livre ou jogos manuais; - Supervisão: monitore não apenas o tempo, mas o tipo de conteúdo consumido. Não é sobre proibir, mas sobre reposicionar as telas. Elas não devem ocupar o lugar de experiências fundamentais da infância, como o brincar livre e um descanso de qualidade. Aqui estão algumas dicas adicionais para ajudar a equilibrar o uso de telas e promover um desenvolvimento saudável nas crianças e adolescentes: 1. Defina regras claras: Estabeleça limites de tempo e conteúdo para o uso de telas, e certifique-se de que todos os responsáveis estejam de acordo. 2. Crie um cronograma: Planeje atividades ao ar livre e jogos manuais para intercalar com o tempo de tela. 3. Seja um modelo: Mostre às crianças que você também pode se desconectar e aproveitar atividades offline. 4. Escolha conteúdos de qualidade: Opte por aplicativos e programas educacionais que promovam aprendizado e criatividade. 5. Monitore e converse: Acompanhe o que as crianças estão fazendo nas telas e converse com elas sobre o que estão assistindo ou jogando. 6. Crie um ambiente de sono saudável: Estabeleça uma rotina de sono consistente e crie um ambiente relaxante para dormir. 7. Incentive a leitura: Promova a leitura de livros físicos ou digitais, mas certifique-se de que seja uma atividade relaxante e não uma obrigação. 8. Atividades físicas: Incentive-os a praticar esportes ou atividades físicas ao ar livre para equilibrar o tempo de tela. 9. Tempo em família: Planeje atividades em família que não envolvam telas, como jogos de tabuleiro, cozinhar juntos ou fazer artesanato. 10. Eduque sobre segurança online: Ensine as crianças sobre os riscos e benefícios do uso da internet e como se proteger. Essas dicas podem ajudar a promover um equilíbrio saudável entre o uso de telas e outras atividades importantes para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Lembre-se de que cada criança é única, então é importante adaptar essas sugestões às necessidades e personalidade dela. Além disso, é fundamental ter em mente que a tecnologia também pode ser uma ferramenta valiosa para o aprendizado e a criatividade. O importante é encontrar um equilíbrio que permita às crianças aproveitar os benefícios da tecnologia sem comprometer seu bem-estar e desenvolvimento.

  • CURVATURAS DO FIO DE CABELO: VOCÊ SABE QUAL A SUA?

    No nosso encontro de hoje, vou ajudar você a descobrir qual a curvatura do seu fio e quais cuidados você deve ter para ter cabelos sempre saudáveis! A curvatura do fio de cabelo é a forma natural que ele apresenta ao crescer a partir do couro cabeludo. Essa curvatura é determinada geneticamente e influencia diretamente na aparência, no comportamento do fio e, principalmente, nos cuidados necessários para mantê-lo saudável. Conhecer a curvatura do cabelo é um passo essencial para escolher produtos, tratamentos e técnicas de finalização adequados. De forma geral, os cabelos são classificados em quatro tipos principais: lisos, ondulados, cacheados e crespos, que ainda se subdividem de acordo com o grau da curvatura. Vamos começar com a curvatura tipo 1 (1A, 1B e 1C) - cabelos lisos. Os cabelos lisos não apresentam curvatura aparente: -1A: fios extremamente lisos, finos e com pouco volume. -1B: lisos com um pouco mais de corpo e movimento. -1C: lisos mais encorpados, com fios grossos e tendência ao frizz. Esse tipo de cabelo costuma refletir mais brilho natural, pois a oleosidade do couro cabeludo consegue se espalhar com facilidade pelo comprimento. Por outro lado, pode apresentar excesso de oleosidade e dificuldade em manter volume ou texturas. Cuidados indicados: lavagens equilibradas, produtos leves e tratamentos que controlem a oleosidade sem ressecar o fio. Na curvatura tipo 2 (2A, 2B, 2C), temos os cabelos ondulados. Os ondulados apresentam ondas em formato de “S” e ficam entre o liso e o cacheado. -2A: ondas suaves, quase imperceptíveis. -2B: ondas mais definidas, com leve frizz. -2C: ondas mais fechadas e volumosas, próximas dos cachos. Esse tipo de cabelo tende a perder definição facilmente e é muito sensível à umidade, o que favorece o frizz. Os cuidados indicados são: hidratação frequente, produtos que ajudem na definição das ondas e finalizações leves para não pesar os fios. Na categoria tipo 3 (3A, 3B, 3C), temos os cabelos cacheados, que têm curvatura bem definida e formato espiral. -3A: cachos mais abertos e soltos. -3B: cachos médios, com mais volume. -3C: cachos bem fechados, densos e volumosos. Devido ao formato do fio, a oleosidade natural não chega facilmente às pontas, tornando esse cabelo mais propenso ao ressecamento. A definição e a saúde dos cachos dependem muito de hidratação, nutrição e técnicas corretas de finalização. Os cuidados indicados são: cronograma capilar, uso de cremes específicos para cachos, técnicas de finalização como fitagem e uso moderado de calor. Os cabelos crespos entram na categoria tipo 4 (4A, 4B, 4C) São fios que possuem a curvatura mais fechada, podendo formar molinhas pequenas ou fios em zigue-zague. -4A: cachos pequenos e bem definidos. -4B: fios com menos definição e formato mais angular. -4C: fios extremamente fechados, com grande volume e pouca definição natural. Esse tipo de cabelo é o mais frágil, pois sua estrutura dificulta a distribuição da oleosidade natural, tornando-o mais suscetível à quebra e ao ressecamento. Cuidados indicados: foco intenso em nutrição e umectação, hidratações profundas, manipulação suave e respeito à textura natural. Não se esqueça, mais do que Curvatura: cada cabelo é único É importante destacar que a curvatura é apenas uma das características do cabelo. Espessura do fio, porosidade, densidade e histórico químico também influenciam diretamente na saúde e no resultado dos tratamentos. Por isso, uma avaliação profissional é fundamental para indicar os cuidados ideais. Respeitar a curvatura natural é valorizar a identidade, a beleza e a saúde dos fios. Quando o cabelo recebe os cuidados certos, ele responde com brilho, força e definição. E você, conseguiu identificar a curvatura do seu fio? Deixe seu comentário sobre nosso conteúdo dessa edição. E até nosso próximo encontro! Beijos da Joh

  • CUIDADOS COM OS CABELOS NO VERÃO

    Nessa edição especial, vou ensinar você, leitor, em como proteger os fios do sol, mar e piscina! O verão é uma das estações mais desejadas do ano, mas também uma das que mais exige atenção com os cabelos. Sol intenso, vento, mar, piscina e suor podem causar ressecamento, quebra, frizz e desbotamento da cor. Com os cuidados certos, é possível manter os fios saudáveis, bonitos e protegidos durante toda a estação. Proteção solar também é para os cabelos. Assim como a pele, os fios sofrem com a exposição solar. O uso de leave-in com filtro UV ajuda a proteger contra o ressecamento e a perda de brilho, principalmente em cabelos com química ou coloração. A primeira dica é: reaplique um leave-in ao longo do dia, especialmente na praia ou piscina. Hidratação frequente é indispensável, já que no verão, os cabelos perdem água com mais facilidade. Por isso, a hidratação deve ser feita ao menos uma vez por semana. Máscaras hidratantes devolvem maciez, brilho e movimento aos fios. Cabelos bem hidratados resistem melhor aos danos do verão. Cuidados antes e depois do mar e da piscina, é indispensável. O sal do mar e o sulfato de cobre presente na água da piscina, são grandes vilões dos fios. A dica chave antes de entrar no mar ou piscina é: molhe os cabelos com água doce e plique um leave-in ou óleo capilar com proteção térmica. Depois do seu banho de mar ou piscina, lave os fios para remover resíduos e faça uma hidratação, finalizando com um protetor térmico. A nutrição para controlar frizz e ressecamento, é de extrema importância. Ela repõe os óleos naturais perdidos com o sol e o vento, ajudando a controlar o frizz e a deixar os fios mais alinhados. Ideal para cabelos ressecados, volumosos ou com química. Evite o uso excessivo de secador e chapinha. Sempre que possível, deixe os cabelos secarem naturalmente. Quando usar ferramentas térmicas, nunca dispense o protetor térmico. Menos calor, mais saúde! Outra dica importante é: mantenha seu corte sempre em dia! Pontas ressecadas e duplas ficam mais evidentes no verão. Aparar os fios ajuda a manter o cabelo com aparência saudável e facilita os cuidados diários. Com atenção, rotina adequada e acompanhamento profissional, é totalmente possível curtir o verão sem prejudicar a saúde dos cabelos. Cuidar dos fios nessa estação é investir em beleza e bem-estar! ☀️ O Studio Joh Dias, deseja a todos clientes e amigos, um feliz Natal e um próspero ano novo. Que seja um ano repleto de positividade, oportunidades, conquistas e realizações. Gratidão a cada cliente e amigo que passou pelo nosso espaço. Aguardamos todos vocês em 2026, que nossa parceria continue! Agende seu tratamento e cuide do seu cabelo neste verão: 1499861-3205

  • ✨ Fé e história em Angra Doce: Igrejas que renovam a tradição de Natal

    O Natal é tempo de luz, esperança e renovação da fé. Viajamos, as vezes, milhares de quilômetros, por terra e ar, para visitar Igrejas sendo que temos belíssimas em nossa Região. Em Angra Doce , além das paisagens deslumbrantes e da hospitalidade de suas cidades, encontramos um patrimônio religioso riquíssimo, formado por igrejas, catedrais e abadia que conta5m histórias de devoção e perseverança de seu povo. Como estamos na época natalina, é também o momento perfeito para visitar ou revistar a nossa histórica , que se tornam ainda mais especiais nesta temporada. Cada templo guarda memórias centenárias e celebrações que unem comunidades, transformando Angra Doce em um destino que combina espiritualidade, cultura e turismo. Segundo pesquisa realizada no site da Diocese de Ourinhos e no Site da Rota do Rosário, a missa mais antiga região de Angra Doce foi celebrada em 1861, em Piraju ( que ainda se chamava Tijuco Preto) dando início as construções de Abadias, Igrejas e Matrizes da Região. 📜 Linha do Tempo das Igrejas de Angra Doce Século XIX 1861 – Piraju (SP):  Primeira missa na capela de taquaras dedicada a São Sebastião. 1870 – Fartura (SP):  Origem da devoção a Nossa Senhora das Dores, com a doação de terras para a capela. 1872 – Piraju (SP):  Criação oficial da Paróquia de São Sebastião do Tijuco Preto. Início do Século XX 1904 – Ipaussu (SP):  Construção da primeira capela dedicada ao Senhor Bom Jesus. 1906 – Piraju (SP):  Inauguração da matriz atual de São Sebastião, em estilo majestoso. 1915 – Ipaussu (SP):  Instituição oficial da Paróquia Senhor Bom Jesus. 1917 – Timburi (SP):  Início da construção da Matriz Santa Cruz em arenito rosa. 1924 – Piraju (SP):  Primeira grande reforma da matriz de São Sebastião. 1928 – Ourinhos (SP):  Lançamento da pedra fundamental da Catedral Senhor Bom Jesus. 1928 – Chavantes (SP):  Pedra fundamental da Matriz Nossa Senhora Aparecida. 1934 – Ourinhos (SP):  Inauguração da Catedral Senhor Bom Jesus. 1934 – Chavantes (SP):  Inauguração da Matriz Nossa Senhora Aparecida. Década de 1930 e 1940 1936 – Itaporanga (SP):  Fundação da Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz 6pelos monges cistercienses. 1941 – Canitar (SP):  Fundação da Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 1943 – Timburi (SP):  Conclusão da Matriz Santa Cruz. 1943 – Itaporanga (SP):  Conclusão da ala frontal da Abadia. Década de 1940 – Bernardino de Campos (SP):  Construção da Igreja Nossa Senhora Rainha da Paz. Pós-Guerra e segunda metade do século XX 1950 – Jacarezinho (PR):  Inauguração da Catedral Imaculada Conceição. 1966 – Barão de Antonina (SP):  Criação da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus. 1975 – Siqueira Campos (PR):  Inauguração do Santuário Senhor Bom Jesus da Cana Verde. Século XXI 2004 – Ribeirão Claro (PR):  Inauguração do Santuário Diocesano de São Vicente Pallotti, primeiro do mundo dedicado ao santo.   🏰 Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz – Itaporanga (SP) A Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz , também chamada de Mosteiro de Itaporanga, é considerada uma das maiores do Brasil. Fundada em 1936 por monges cistercienses vindos da Alemanha, sua criação foi marcada pela coragem em tempos de perseguição religiosa na Europa. A construção, concluída em 1943, foi feita com tijolos produzidos pelos próprios monges na olaria do mosteiro. A imponência da abadia impressiona: sua fachada monumental e a igreja abacial dedicada a São João Batista , projetada pelo arquiteto alemão Dr. Albert Bosslet, são exemplos de arte e fé. Além das celebrações litúrgicas, os monges desempenham papel vital na vida pastoral das paróquias de Itaporanga e Riversul, e também se dedicam à agricultura e pecuária, sustentando a comunidade. Hoje, a abadia oferece visitas monitoradas, permitindo aos visitantes mergulhar na espiritualidade e na história desse monumento único. ✨ Curiosidade:  A abadia coordena mais de 25 capelas rurais, espalhando sua presença espiritual por toda a região. 🎄 Paróquia Senhor Bom Jesus – Ipaussu (SP) A Paróquia do Senhor Bom Jesus  em Ipaussu começou em 1904, com a construção da primeira capela. Em 1915, foi oficialmente instituída a paróquia, que se tornou centro da vida religiosa da cidade. O templo é símbolo da fé local, mas também da cultura: todos os anos, o Natal de Luzes  transforma Ipaussu em cenário mágico, com a matriz e as praças iluminadas, atraindo visitantes e fortalecendo o turismo religioso. ✨ Curiosidade:  A festa do padroeiro, celebrada em agosto, reúne romarias, passeios de bicicleta entre todas as Capelas da cidade, missas campais e procissões que atraem fiéis de toda a região. ✨ Catedral Senhor Bom Jesus – Ourinhos (SP) A pedra fundamental foi lançada em 1928 e a inauguração ocorreu em 1934, em meio a grande festa popular. Embora ainda inacabada, já recebia fiéis para missas, batizados e casamentos. A Catedral Senhor Bom Jesus  é hoje referência religiosa e cultural de Ourinhos. Sua arquitetura imponente e sua história de perseverança fazem dela um dos principais símbolos da cidade. ✨ Curiosidade:  O sino de bronze da antiga capela ainda é preservado e usado em celebrações especiais. 🌹 Matriz Nossa Senhora das Dores – Fartura (SP) Em 1870, Manoel Remígio Viana doou terras para a construção de uma capela em homenagem à padroeira. A festa de 15 de setembro  reúne fiéis em procissões e missas, reforçando a identidade espiritual da cidade. ✨ Curiosidade:  A matriz guarda imagens sacras centenárias, trazidas por famílias pioneiras, que ainda são usadas nas procissões. 🏹 Matriz de São Sebastião – Piraju (SP) A devoção a São Sebastião  em Piraju começou em 1861, com uma capela simples de taquaras. Em 1872, foi criada oficialmente a paróquia, e em 1906 inaugurou-se a atual matriz, já em estilo majestoso, com torre e naves amplas. A igreja passou por reformas em 1924 e em 1998, quando ganhou nova pintura e um arco no altar. Hoje, é um dos templos mais admirados da região.✨ Curiosidade:  A imagem original de São Sebastião, esculpida em madeira, ainda é preservada e venerada pelos fiéis. ✝️ Matriz Santa Cruz – Timburi (SP) Idealizada pelo Padre Bento de Queiroz , começou a ser construída em 1917 e foi concluída em 1943, em arenito rosa da região. Padre Bento faleceu antes da conclusão, mas foi sepultado sob as escadarias da igreja. Em 2012, passou por grande reforma, preservando seu valor histórico e cultural. ✨ Curiosidade:  O túmulo de Padre Bento, em frente à matriz, é visitado por fiéis que reconhecem sua dedicação. 🌸 Igreja Nossa Senhora Rainha da Paz – Bernardino de Campos (SP) A devoção mariana se expressa na igreja, que é espaço de oração e celebrações que fortalecem a identidade espiritual da comunidade. ✨ Curiosidade:  Durante o mês de maio, dedicado a Maria, a igreja organiza coroações e procissões que mobilizam toda a cidade. 🌸 Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus – Barão de Antonina (SP) Criada em 1966, após a emancipação do município, nasceu de uma antiga capela rural vinculada a Itaporanga. O primeiro pároco foi o Pe. Elredo Costa, O. Cist. . Hoje, sob responsabilidade do Pe. Aparecido Rubin , a paróquia se destaca pela participação ativa dos fiéis em trabalhos voluntários. ✨ Curiosidade:  A festa de Santa Terezinha, em outubro, é marcada por novenas, procissões e intensa participação popular. 🌸 Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida – Chavantes (SP) Com pedra fundamental lançada em 1928 e inaugurada em 1934, tornou-se centro da devoção à padroeira. ✨ Curiosidade:  A imagem de Nossa Senhora Aparecida que domina o altar foi trazida por famílias pioneiras e é considerada milagrosa. 🌹 Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Canitar (SP) Fundada em 1941 por Dona Luizinha, tornou-se paróquia em 1997. A presença das Irmãs Pequenas Missionárias Eucarísticas entre 1999 e 2013 fortaleceu a catequese e a evangelização. ✨ Curiosidade:  A capela foi construída com doações da comunidade e até hoje mantém o espírito de união entre os moradores. ⛪ Igreja Matriz de Siqueira Campos – Paraná Construída na década de 1920, dedicada ao Divino Espírito Santo. Em 1934, recebeu a imagem do Senhor Bom Jesus da Cana Verde , origem da festa celebrada em 6 de agosto. ✨ Curiosidade:  O santuário guarda relatos de milagres atribuídos ao Senhor Bom Jesus, tornando-se local de romaria. 🌄 Santuário Diocesano de São Vicente Pallotti – Ribeirão Claro (PR) Inaugurado em 2004, é o primeiro santuário do mundo dedicado a São Vicente Pallotti . ✨ Curiosidade:  O santuário recebe peregrinos de vários países e é considerado marco internacional da devoção pallottina. 🕊️ Catedral Imaculada Conceição – Jacarezinho (PR) Inaugurada em 1950 e tombada pelo Patrimônio Histórico, impressiona pelos murais de Eugênio de Proença Sigaud , que retratam cenas bíblicas e sociais. ✨ Curiosidade:  Os murais da catedral são considerados uma das maiores obras sacras do Brasil em extensão. Neste Natal, visitar a região de Angra Doce  é mergulhar em um roteiro que une fé, cultura e beleza. Cada igreja, catedral e abadia guarda histórias de perseverança e devoção que iluminam a tradição e tornam esta época ainda mais especial.Angra Doce é, portanto, um destino onde espiritualidade e turismo se encontram, convidando todos a celebrar o Natal em meio a templos que são verdadeiros tesouros da nossa história. Fotos obtidas no sites da Diocese de Ourinhos (SP) e da Rota dos Rosário (PR).

  • NA CORRERIA, VOCÊ PAROU E NOS DEU VOZ. GRATIDÃO

    Caros amigos leitores, estamos chegando ao final de mais um ano. E que ano foi esse! Ano de muitos aprendizados, batalhas e conquistas. Em especial, o ano do surgimento desta revista, da qual tenho o prazer de fazer parte e de falar sobre a minha profissão: Fisioterapia , que, como síntese, é o amor. Neste período de festas e comemorações, vamos sempre lembrar do que passamos, olhando para o que ficou, seja em forma de agradecimento ou de experiências adquiridas. E, quando menos esperamos, dezembro vem à tona com emoções e aconchego, trazendo consigo o fim de um ciclo e boas novas. Com ele vem o espírito natalino, que está aí para ser vivido: está em você, em mim e em todos que quiserem viver isso. Parece que, ao final de cada ano, vira uma chavinha na cabeça das pessoas que dizem: “Agora sim eu vou curtir, agora eu posso!”. Todos vivem esse espírito de magia misturado com um pouquinho de caos. Até quem não quer viver isso acaba entrando nos embalos de um final de ano: tudo lotado, pessoas com a sensação de dever cumprido e outras com pressa para conseguir viver intensamente esse momento. Em inspiração a esse ano que passou, venho transcrever para vocês como me sinto grata. Hoje não venho falar sobre fisioterapia, apesar de amar. Hoje venho aqui, humildemente, agradecer a você aí, que nos motiva a escrever. Cada dia mais estamos na era do imediatismo, e preservar o hábito da leitura de fontes seguras vem sendo cada vez mais difícil. Por outro lado, pessoas como vocês, que se dedicam do seu tempo (que hoje eu sei que vale ouro) para tentar entender os assuntos tão importantes e as mensagens que estamos tentando transmitir com a revista, só me fazem pensar o quanto ainda vale a pena. Venho observando, ao longo do tempo, que atualmente sentimos diariamente a presença de uma falta de interesse em tudo que demore mais que um minuto para ser concretizado. E você, meu leitor, está entre os que fazem a diferença: os que ainda apreciam ler e entender mais sobre vários assuntos. Sintam-se especiais por terem, a princípio, curiosidade em aprender e a paciência que muitos não têm. O seu interesse pela leitura nos move . E hoje vim aqui falar com vocês sobre isso. Quando me chamaram para iniciar escrevendo para a revista, abordando temas que eu gostaria de gritar para o mundo ouvir, eu aceitei logo de cara, mas confesso que pensei: “Tá, pera… mas quem vai ler?”. Nesse mundo onde tudo é para ontem, custei a acreditar que alguém pararia e leria algo tão inspirador, porém complexo e longo. E assim iniciei, acreditando que deveria minimizar toda aquela vontade de escrever extensamente que eu tinha, para assim criar em vocês o hábito da leitura da minha coluna aqui na revista. Mas, pasmem, meus amigos: vocês me surpreenderam com a alta aceitação. E eu, que tentei por vezes imaginar o quanto de aceitação teríamos, fiquei lisonjeada por você respeitar e honrar nossas horinhas escrevendo conteúdos. Sei que, assim como um mercado precisa de clientes, uma revista precisa de leitores. E hoje você é o nosso homenageado aqui nesta coluna. Meu muito obrigada pela paciência de estar aí, do outro lado, nos lendo. Obrigada por este ano e pelos muitos que ainda estaremos aqui. Que o espírito natalino faça brilhar ainda mais a sua estrela e a dos seus. Sinta gratidão por tudo o que viveu este ano, por mais desafiador que tenha sido. Você conseguiu!!! Que 2026 seja imensuravelmente o melhor ano das suas vidas. Desejo que tenham muita paz e saúde. Porém, se não estiverem bem de saúde, eu posso te ajudar (rs). Brincadeiras à parte, graças a Deus Ele me permitiu ter uma profissão que realmente ajuda as pessoas a se sentirem melhor e mais saudáveis. E esse é o meu propósito aqui. Me acompanhem. Espero poder passar muitas informações para vocês e espero ter conseguido transmitir um pouquinho da minha gratidão por existirem, pela sua vida e por nos acompanharem. Aguardo vocês também em 2026, se cuidando no Studio Daiany Peres . Será sempre uma honra atender você e sua família. VOCÊS FAZEM A DIFERENÇA!!!!!!!!!! FELIZ NATAL E UM BELO E MÁGICO ANO NOVO. São os votos da Dra. Daiany Peres  e, em especial, do Studio Daiany Peres e equipe .

  • O corpo avisa: sem alongamento, não há saúde nem performance

    A prática regular de exercícios físicos é fundamental para manter a saúde e o bem-estar. No entanto, muitas vezes negligenciamos uma parte essencial dessa rotina: os alongamentos. Eles desempenham um papel crucial na preparação e recuperação do corpo, independentemente de você ser um atleta dedicado ou alguém que pratica atividades físicas esporadicamente. Importância dos Alongamentos na Prática Esportiva Os alongamentos são exercícios que visam aumentar a flexibilidade muscular e a amplitude de movimento das articulações. Ao incorporar alongamentos na sua rotina, você proporciona ao corpo maior autonomia e independência, facilitando a execução de movimentos tanto no dia a dia quanto durante a prática esportiva. Além disso, a prática regular de alongamentos pode auxiliar na redução de lesões, como tendinites, bursites e cãibras, promovendo uma recuperação muscular mais eficiente. Benefícios dos Alongamentos para Todos Independentemente da frequência com que você pratica atividades físicas, os alongamentos oferecem benefícios significativos: • Melhora da Flexibilidade e Mobilidade:  Aumenta a amplitude de movimento das articulações, facilitando a realização de tarefas cotidianas e movimentos esportivos. • Prevenção de Lesões:  Reduz a tensão muscular e melhora a postura, diminuindo o risco de lesões durante atividades físicas. • Alívio do Estresse:  Promove o relaxamento muscular e mental, contribuindo para a redução do estresse e da ansiedade. • Aumento da Circulação Sanguínea:  Estimula o fluxo sanguíneo, acelerando a recuperação muscular e melhorando a saúde cardiovascular. Esses benefícios são alcançados com a prática regular de alongamentos, que deve ser realizada de forma suave e progressiva, respeitando os limites do corpo. Prevenir é Mais Barato do que Remediar Investir tempo em alongamentos é uma estratégia eficaz de prevenção. Ao dedicar alguns minutos antes e depois das atividades físicas para alongar-se, você reduz significativamente o risco de lesões, evitando gastos com tratamentos e períodos de inatividade. Além disso, a prevenção contribui para uma melhor qualidade de vida e desempenho esportivo. Exemplos de Alongamentos para Membros Inferiores e Superiores Para ilustrar como realizar alongamentos eficazes, apresentamos alguns exemplos para os membros inferiores e superiores: Membros Inferiores: 1. Alongamento de Quadríceps: • Fique em pé e segure o tornozelo direito com a mão direita, puxando-o em direção ao glúteo. • Mantenha os joelhos alinhados e a postura ereta. • Segure por 20 a 30 segundos e repita com a outra perna. Realize 10 repetições com cada perna. 2. Alongamento de Isquiotibiais: • Sente-se no chão com uma perna estendida e a outra flexionada. • Incline o tronco para frente, mantendo as costas retas, até sentir um leve alongamento na parte posterior da coxa. • Segure por 20 a 30 segundos e troque de perna. Realize 10 repetições com cada perna.   Membros Superiores: 1. Alongamento de Ombros: • Estenda o braço direito à frente do corpo, na altura do peito. • Com a mão esquerda, puxe o braço direito em direção ao peito, sentindo o alongamento no ombro. • Mantenha por 20 a 30 segundos e repita com o outro braço. Realize 10 repetições com cada braço. 2. Alongamento de Tríceps: • Levante o braço direito acima da cabeça e dobre o cotovelo, levando a mão direita em direção à escápula. • Com a mão esquerda, pressione suavemente o cotovelo direito, intensificando o alongamento. • Segure por 20 a 30 segundos e troque de braço. Realize 10 repetições com cada braço. Conclusão Incorporar alongamentos na sua rotina diária é uma prática simples e eficaz que traz inúmeros benefícios para a saúde e o desempenho esportivo. Lembre-se de que prevenir é mais barato do que remediar; portanto, dedique alguns minutos ao alongamento antes e depois das atividades físicas para garantir um corpo mais saudável e preparado para os desafios do dia a dia.

  • CLAREAMENTO DENTAL - MITOS E VERDADES

    Introdução Atualmente, a busca por um sorriso mais branco tornou-se uma das principais motivações para visitas ao dentista. Um sorriso radiante é frequentemente associado à saúde, higiene e bem-estar, o que eleva a autoestima e a confiança social do paciente. O clareamento dental é um procedimento minimamente invasivo que utiliza agentes oxidantes para remover manchas e pigmentos acumulados nos dentes ao longo do tempo. Essas substâncias penetram na estrutura dental e quebram as moléculas de cor, clareando dentes que sofreram escurecimento pelo envelhecimento natural ou pelo consumo de alimentos pigmentados. Com a grande circulação de informações em redes sociais, muitas vezes sem comprovação científica, surgiram diversas dúvidas e conceitos equivocados sobre a segurança do procedimento. Este artigo tem o objetivo de esclarecer os principais mitos e verdades sobre o tema, garantindo que o paciente compreenda o processo e realize o tratamento com segurança e eficácia sob supervisão profissional.   Sensibilidade dentária A sensibilidade nos dentes é o efeito colateral mais comum relatado por quem faz o clareamento, sendo, portanto, uma verdade. Isso acontece porque o gel clareador precisa atravessar as camadas do dente para agir nas manchas. Durante esse processo, o produto acaba estimulando o nervo do dente, o que pode gerar uma inflamação passageira e aquela sensação de "choquinho". Fonte:  Apex Odontologia. No entanto, é importante destacar que essa sensibilidade é temporária e não causa dano permanente. O problema pode ser facilmente evitado ou reduzido com o uso de produtos contra sensibilidade indicados pelo dentista ou apenas ajustando o tempo que o gel fica em contato com os dentes.   Receitas caseiras Muitas pessoas acreditam que usar produtos como carvão ativado ou bicarbonato de sódio em casa é uma alternativa barata e segura para clarear os dentes, mas isso é um mito. Na verdade, essas substâncias abrasivas não possuem as propriedades químicas necessárias para remover as manchas internas do dente, elas funcionam apenas como um desgaste mecânico. Esse desgaste pode causar danos irreversíveis à estrutura dental, deixando os dentes mais finos e aumentando muito a sensibilidade. Além de não atingir os pigmentos internos que determinam a cor real do dente, o uso frequente dessas receitas pode acabar deixando o sorriso com um aspecto amarelado, pois o esmalte desgastado revela a camada interna do dente, que é naturalmente mais escura. Fonte:   Use Orgânico.   O clareamento de consultório é mais eficaz que o caseiro A ideia de que o tratamento feito no consultório é superior ao realizado em casa é um mito, pois ambas as técnicas apresentam resultados semelhantes. No método de consultório, o dentista utiliza géis de alta concentração, para obter um clareamento mais rápido em sessões de aproximadamente uma hora. Já no método caseiro, o paciente utiliza moldeiras com géis de baixa concentração, durante algumas horas do dia ou da noite, por um período de duas a quatro semanas. A escolha entre as técnicas depende da conveniência do paciente, do nível de sensibilidade individual e do tempo desejado para o resultado, sendo que a técnica caseira supervisionada é frequentemente considerada o "padrão-ouro". Isso ocorre porque o clareamento gradual da técnica caseira costuma gerar uma menor incidência de sensibilidade severa e proporciona uma maior estabilidade da cor a longo prazo. Fonte:   Gemini.   Dieta restrita durante o clareamento Um dos temas que mais gera dúvidas é como a alimentação interfere no resultado do clareamento dental. No passado os pacientes eram proibidos de consumir qualquer alimento com corante, mas hoje sabemos que isso é um mito. A ciência evoluiu e as pesquisas mostram que essa restrição absoluta não é necessária para o sucesso do tratamento. Estudos atuais comprovam que o segredo não está na proibição, mas sim na moderação e em uma boa higiene bucal. Escovar os dentes ou apenas enxaguar a boca logo após consumir algo pigmentado já é o suficiente para garantir que o seu sorriso continue brilhante. Portanto, você pode manter sua rotina alimentar sem restrições exageradas, focando no equilíbrio e nos cuidados diários de limpeza.   Conclusão O clareamento dental é um procedimento seguro e eficaz, realizado sob supervisão de um cirurgião-dentista. É fundamental desmistificar a ideia de que o tratamento causa danos permanentes aos dentes ou que métodos caseiros sem supervisão são alternativas viáveis. A educação do paciente e o planejamento individualizado são as chaves para alcançar um sorriso mais claro sem comprometer a saúde bucal.   Referências bibliográficas SANTOS, J. S. et al. Mitos e verdades sobre o clareamento dental: uma revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 3, p. e79885, 2024. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index . php/BJHR/article/view/79885/55083. Acesso em: 19 dez. 2025. SILVA, L. M. et al. Clareamento dental: uma revisão de literatura sobre as técnicas e sua eficácia. Research, Society and Development, v. 13, n. 4, p. e4585145851, 2024. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/ article/download/45851/36512. Acesso em: 19 dez. 2025.

  • O Homem Contemporâneo: Forte De Espelho, Frágil De Ação

    Há algo profundamente curioso — e francamente patético — no homem contemporâneo. Ele entra na academia seis vezes por semana, faz creatina como ritual religioso, ostenta bíceps inflados, barba cerrada e voz grossa ensaiada no reels. Parece pronto para a guerra. Até que surge… uma barata. Ou um pneu furado. Ou uma simples necessidade de leitura mínima de espaço urbano ao lado de uma mulher. E então o herói do espelho desaparece. Fica apenas o figurante do próprio personagem. Vivemos a era do homem esteticamente viril e funcionalmente inútil. Uma masculinidade de vitrine, feita para foto, não para o mundo real. Um modelo que performa força, mas foge do gesto. Que fala grosso, mas não sustenta o silêncio quando precisa agir. Que exibe músculos como argumento moral, mas não sabe onde colocar o próprio corpo quando a situação exige presença. A pergunta não é se isso é um retrocesso. A pergunta é: quando foi que aceitamos isso como normal? Matar uma barata não é sobre o inseto. Trocar um pneu não é sobre mecânica. Andar do lado externo da calçada não é sobre cavalheirismo antiquado. Tudo isso é sobre algo muito mais básico e hoje raríssimo: prontidão. Disponibilidade para agir. Capacidade de assumir, ainda que em pequenas situações, a responsabilidade pelo ambiente imediato. O homem contemporâneo foi educado para acreditar que qualquer gesto de proteção é suspeito. Que qualquer liderança é autoritarismo em potencial. Que qualquer código de conduta masculina é opressão disfarçada. E, com medo de errar, escolheu não fazer nada. O problema é que a omissão nunca foi neutra. Ela só é confortável para quem pode se dar ao luxo de ser omisso. Criamos uma geração de homens que confunde respeito com ausência, igualdade com indiferença, maturidade com passividade. Homens que não querem parecer “machistas”, mas acabam parecendo ausentes. Homens que não querem assumir riscos, mas exigem reconhecimento. Homens que pedem admiração sem entregar função. O discurso moderno ensinou que força é tóxica, mas esqueceu de explicar que fragilidade também pode ser. Uma sociedade composta por homens que não sabem agir em situações simples não é mais segura, é mais frágil. Não é mais justa, é mais desamparada. Não é mais evoluída, é apenas mais confusa. O gesto de andar do lado correto da calçada virou meme. "Coisa de velho", dizem. Curioso como o mesmo homem que sabe todas as coreografias do TikTok não sabe ler o básico do espaço urbano. Não entende que o lado externo da calçada é o lado do risco. Do carro que sobe, da bicicleta desgovernada, do imprevisto. Não é romantização. É estatística. É observação. É mundo real. Mas o mundo real exige algo que o homem contemporâneo desaprendeu: responsabilidade sem aplauso. Ninguém vai filmar você trocando um pneu à noite. Ninguém vai te dar like por resolver um problema doméstico. Ninguém vai te chamar de desconstruído por se colocar entre o risco e quem está ao seu lado. E talvez seja exatamente por isso que tantos não fazem. A masculinidade virou um palco. E, como todo palco, só funciona sob luz, ângulo e validação. Fora disso, desmonta. Há também a terceirização total da vida. Se algo quebra, chama-se alguém. Se algo assusta, ignora-se. Se algo exige confronto, posterga-se. O homem não aprende porque não precisa. Não precisa porque sempre haverá um serviço, um aplicativo, um tutorial que nunca será assistido até o fim. O problema é que a vida não avisa quando não haverá tempo de chamar ninguém. O argumento clássico surge rápido: “isso é só saudosismo”. Não é. Ninguém está defendendo o homem bruto, violento, incapaz de sentir. O que está em falta não é sensibilidade, é estrutura. Não é emoção, é função. Um homem pode ser sensível, moderno, empático — e ainda assim saber agir. Uma coisa não exclui a outra. Só na caricatura ideológica elas se anulam. O homem forte de verdade não é o que grita sobre masculinidade. É o que não precisa discursar. Ele simplesmente faz. Resolve. Age. Sustenta. Não para dominar, mas para garantir que o caos não avance um centímetro além do necessário. Hoje, porém, o que se vê é um medo generalizado de assumir esse lugar. Um receio constante de ser mal interpretado. Um pânico de parecer antiquado. E, nesse medo, perde-se algo essencial: o senso de dever. Dever não é opressão. Dever é o que separa adultos de adolescentes tardios. Dever é entender que viver em sociedade implica assumir papéis, mesmo quando eles não são confortáveis ou trending topics. O homem contemporâneo quer os bônus simbólicos da masculinidade — respeito, desejo, reconhecimento — sem pagar o preço prático dela. Quer ser visto como forte, mas não testado. Quer ser admirado, mas não necessário. Quer ser referência, mas não responsabilidade. E isso cobra um preço coletivo. Mulheres que precisam estar sempre alertas. Crianças que crescem sem referência funcional de ação masculina. Espaços públicos mais inseguros. Relações mais frágeis. Tudo porque agir virou opcional. No fim, talvez o maior problema não seja o homem que tem medo de barata. É o homem que tem medo de si mesmo. Medo de errar. Medo de agir. Medo de ocupar espaço. Medo de ser útil. A evolução real não elimina virtudes — ela as lapida. Coragem, proteção, prontidão e responsabilidade não são relíquias do passado. São ferramentas do presente. E quem abre mão delas não se torna mais moderno. Torna-se apenas dispensável. O homem contemporâneo precisa decidir se quer continuar sendo forte apenas no reflexo do espelho ou se está disposto a recuperar algo muito mais raro: a capacidade de estar à altura quando o mundo, e não a câmera, exige.

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