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- O Ouro da Terra – A Versatilidade do Milho Verde
Eu escolho O milho verde é o coração da culinária caipira e, em fevereiro, as primeiras colheitas da safra principal começam a chegar com força, garantindo grãos mais leitosos. Você sabia que o milho "verde" leva esse nome não pela cor do grão (que já é amarelo), mas pelo estado da palha? Colhê-lo nesse ponto garante que o açúcar natural ainda não tenha se transformado totalmente em amido, resultando naquela textura macia e sabor adocicado. Se existe um perfume que define a cozinha do interior, é o cheiro de milho fresco cozinhando no fogão. Em fevereiro, nossas terras nos presenteiam com espigas no ponto ideal: grãos leitosos, doces e vibrantes. Mas você sabe como escolher a espiga perfeita na feira ou como garantir esse sabor de colheita fresca mesmo daqui a seis meses? Nesta edição, mergulhamos no universo desse ingrediente que é a alma da nossa culinária, trazendo dicas de mestre e uma harmonização que vai surpreender seu paladar. Dica de Especialista (Como escolher na feira) - Como não errar na compra: Cabelo: Deve estar escuro e seco. Se estiver muito claro, o milho está "novo" demais e sem polpa; se estiver saindo sozinho, pode estar duro. O Teste da Unha: Aperte um grão com a unha. Se soltar um "leitinho" branco, é o ponto perfeito para curau e pamonha. Receitas Sugerida: Tempurá de Milho Verde (Corn Fritters) Uma forma moderna e crocante de servir o milho, ideal como petisco de verão. Ingredientes: 3 espigas de milho verde (grãos cortados rente ao sabugo) 1/2 xícara de farinha de trigo 1 ovo Cebolinha picada e uma pitada de páprica Sal e pimenta a gosto Óleo para fritar Preparo: Misture o milho, o ovo, a farinha e os temperos até formar uma massa pegajosa. Aqueça o óleo e coloque colheradas da mistura. Frite até dourar dos dois lados. Sirva com um molho de mel e pimenta para um contraste agridoce irresistível. Curau de Milho Verde "Direto da Roça" Ingredientes: 6 a 8 espigas de milho verde (bem granadas/leitosas) 500ml de leite integral (pode usar metade leite de coco para um toque regional) 1 xícara de açúcar (ajuste conforme o dulçor do milho) 1 pitada de sal (essencial para realçar o sabor) Canela em pó para polvilhar Modo de Preparo: Extração: Debulhe o milho cortando os grãos rente ao sabugo. No liquidificador, bata o milho com o leite por cerca de 3 a 5 minutos até ficar bem homogêneo. Peneira (O segredo): Passe essa mistura por uma peneira fina ou um pano de prato limpo (voal), espremendo bem para tirar todo o amido e descartar o bagaço. Fogo Baixo: Leve o líquido para uma panela de fundo grosso. Adicione o açúcar e a pitada de sal. Ponto de Colher: Cozinhe em fogo médio/baixo, mexendo sempre com uma colher de pau para não empelotar. Assim que engrossar e começar a ferver, cozinhe por mais 10 minutos para garantir que o gosto de "amido cru" desapareça. Finalização: Transfira para uma travessa ou taças individuais. Sirva morno ou gelado, sempre com muita canela por cima. Bolo Pamonha de Milho Verde (Sem Farinha) - O clássico que aproveita todo o dulçor da safra atual. Ingredientes: 4 xícaras de milho verde (aproximadamente 5 a 6 espigas debulhadas) 1 lata de leite condensado (para a cremosidade perfeita) 3 ovos inteiros 1 colher (sopa) de manteiga em temperatura ambiente 100ml de leite de coco 1 colher (sopa) de fermento em pó Uma pitada de sal Modo de Preparo: Bater: No liquidificador, bata o milho, o leite condensado, os ovos, a manteiga e o leite de coco até obter uma massa homogênea. Nota: Se gostar de pedacinhos, bata por menos tempo. Finalizar: Adicione o fermento e a pitada de sal, batendo rapidamente apenas para misturar. Assar: Despeje em uma forma untada (com manteiga e fubá ou açúcar). Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 45 a 50 minutos. O Ponto: Ele deve ficar dourado por fora, mas levemente cremoso por dentro (como uma pamonha de forno). Espere amornar para desenformar Suco de Milho Verde Geladíssimo O segredo está no equilíbrio entre o milho e o leite para não virar um curau líquido. Ingredientes: 4 espigas de milho (grãos bem amarelos e leitosos) 1 litro de leite integral bem gelado 1 xícara de açúcar (ou a gosto) 1 pitada de sal Gelo a gosto Modo de Preparo: Bater: Bata os grãos de milho no liquidificador com 500ml do leite até triturar bem. Cozimento (Opcional, mas recomendado): Para um sabor mais profundo e para evitar que o suco "separe" no copo, leve essa mistura ao fogo por 5 minutos até engrossar levemente. Deixe esfriar completamente. Refinar: Bata novamente no liquidificador com o restante do leite gelado e o açúcar. Peneirar: Passe por uma peneira bem fina (ou coador de pano) para remover todo o bagaço. Servir: Sirva imediatamente com muito gelo. Dica de Ouro da Colunista: Para uma versão "Sabores da Terra Gourmet", sugira aos leitores baterem o suco com uma folha de hortelã ou servir com uma pitada de canela na borda do copo. O Ciclo do Milho e Nossa Identidade "Celebrar o milho em fevereiro é mais do que seguir o calendário da safra; é honrar a versatilidade de um grão que sustenta a nossa história. Além de ser a base para as delícias que compartilhamos hoje — do suco refrescante ao bolo afetivo — o milho verde é uma potência nutricional. Rico em fibras, que auxiliam na digestão, e antioxidantes como a luteína, ele é um aliado da saúde dos olhos e do coração. Ao escolher o milho direto do produtor neste mês, você não apenas garante o melhor sabor e nutrientes, mas também fortalece a agricultura familiar e o ciclo sustentável da nossa terra. Que este mês de fevereiro seja repleto de mesas fartas e aromas que nos conectam com nossas raízes." Energia Natural: Fonte de carboidratos de absorção gradual. Vitamina B1: Essencial para o bom funcionamento do sistema nervoso. Sem Desperdício: Lembre-se que palhas e sabugos podem virar adubo orgânico ou decoração rústica. Dica importante !!! Sabia que você pode congelar o milho???🌽 Isso mesmo coloque em saquinhos tire o ar e pronto . Se quiser também embalar a vácuo também dá certo tem muitas maquininhas no mercado que você pode estar utilizando pra embalar não somente o milho mais outros produtos também !!!
- Diabetes mellitus: as tarefas de autocuidado.
Hoje vou abordar um tema muito importante para todos aqueles que tratam o diabetes mellitus: as tarefas de autocuidado. Elas se concentram basicamente em 5 esferas: 1. Alimentação. Aqui são importantes a restrição de açúcares nas fontes mais evidentes, bem como a otimização do índice glicêmico dos alimentos e a definição de um plano alimentar, idealmente personalizado. 2. Exercícios. A Organização Mundial da Saúde requer pelo menos 2 horas e meia semanais de atividades físicas, de preferência em 4 momentos e, se possível, abrangendo os estímulos aeróbico e resistido. 3. Uso de medicamentos. É fundamental tomar ou aplicar os fármacos prescritos em horários e doses fixos, de acordo com a orientação médica. É errado, por exemplo, aplicar insulina somente quando o diabetes está alto! 4. Automonitorização de glicemia. Medir o diabetes pelos tradicionais glicosímetros ou pelos modernos sensores de glicose é fundamental para avaliar o impacto do tratamento e ajustar doses das medicações. 5. Reconhecimento e manejo de hipoglicemias. Se você tem diabetes, precisa saber perceber quando a glicose abaixa demais e também agir para normalizar seus índices!
- PROGRESSIVA NÃO TRATA O CABELO: a verdade que muita gente não quer ouvir!
Vamos falar de um assunto polêmico, mas necessário: progressiva não é tratamento capilar. Apesar de muitas promessas bonitas, cheiro agradável e efeito espelhado imediato, a realidade é outra. A progressiva alinha o fio por meio de química, alterando sua estrutura interna. O cabelo fica aparentemente saudável, macio e brilhoso, mas isso é um efeito cosmético temporário, não um tratamento de recuperação. Com o tempo e o uso contínuo de maneira errada o fio pode ficar fino, frágil e quebradiço, podendo haver perda de massa capilar. O cabelo passa a depender cada vez mais da química para “parecer bonito”. Para um cabelo mais saudável após progressiva, todo tratamento é indispensável. O ponto importante, é fazer o retoque de progressiva APENAS no crescimento da raiz, para evitar o afinamento dos fios. E aqui entra a parte que incomoda: cabelo bonito não é sinônimo de cabelo saudável. Tratamento de verdade envolve hidratação, nutrição e reconstrução, respeitando a estrutura natural do fio. A progressiva pode até facilitar a rotina, mas cobra seu preço lá na frente feito de forma errada. Isso significa que ninguém pode fazer progressiva? Claro que não. O problema não é o procedimento em si, e sim vender a ideia de que ele trata, recupera ou salva o cabelo. Então vamos falar a verdade? Progressiva não trata cabelo. Se progressiva tratasse cabelo, não existiria cronograma capilar, nem queda, nem quebra, nem transição. Mas existe. E muito. O brilho que você vê depois da progressiva não é saúde, é maquiagem química. O fio fica liso, alinhado e “bonito”, enquanto por dentro está sendo alterado, afinado e, muitas vezes, enfraquecido. Quer praticidade? Ok. Quer cabelo liso? Escolha sua verdade. Mas não confunda resultado imediato com cuidado real. Porque cabelo não mente. Uma hora, a conta chega! Então sejamos concientes ao fazer o procedimento químico! Gostou do conteúdo? Deixe seu comentário e até nosso próximo encontro!
- Vinhos de Verão: frescor, leveza e prazer à mesa
Quando pensamos em vinho, muitas vezes imaginamos jantares sofisticados ou harmonizações elaboradas. Mas existe uma categoria que foge dessa formalidade: os chamados vinhos de verão. Eles não são uma definição técnica, mas sim cultural, e se referem a rótulos que, por suas características, se tornam ideais para dias quentes, encontros ao ar livre e refeições leves. Mais do que uma bebida, são um convite ao convívio e à celebração simples da vida. Brancos jovens e aromáticos, com notas cítricas, florais ou tropicais, são sempre protagonistas nessa estação. Rosés delicados, com toques de frutas vermelhas frescas, também conquistam espaço por sua versatilidade. Espumantes, sejam brut, demi-sec ou moscatel, trazem borbulhas festivas e refrescância imediata. Até os tintos podem entrar na lista, desde que sejam leves, como Pinot Noir ou Gamay, servidos levemente resfriados. A harmonização desses vinhos é quase intuitiva. Saladas frescas pedem brancos cítricos ou rosés suaves. Frutos do mar e peixes grelhados combinam com espumantes ou brancos minerais. Queijos leves, como burrata ou mozzarella, ficam perfeitos com rosés. Carnes brancas, como frango ou peru, harmonizam com tintos leves e refrescados. E para sobremesas com frutas, nada melhor que espumantes moscatéis ou moscatéis demi-sec. Na Europa, especialmente em regiões mediterrâneas, o consumo de vinhos leves no verão é tradição. Em Portugal, o vinho verde é praticamente sinônimo de frescor estival. Na Espanha, a sangria é uma versão festiva que mistura vinho, frutas e especiarias. No Brasil, com nosso clima predominantemente quente, os vinhos de verão encontram terreno fértil. Vinícolas nacionais têm investido em espumantes e brancos aromáticos que conquistam cada vez mais espaço nas mesas e nas praias. Para aproveitar melhor, é importante observar a temperatura de serviço: brancos e rosés entre 8 e 12°C, espumantes entre 6 e 8°C e tintos leves entre 12 e 14°C. Taças menores ajudam a manter a temperatura e concentrar aromas. E quanto às ocasiões, não há regras: piqueniques, churrascos leves, almoços de domingo ou festas ao ar livre são cenários perfeitos. Brindes de Verão: três receitas para refrescar - *Sangria Clássica*: feita com vinho tinto jovem, frutas frescas (laranja, limão, maçã), licor de laranja, açúcar, água com gás e bastante gelo. Basta macerar as frutas com o açúcar e o licor, adicionar o vinho e completar com água com gás. Servida bem gelada, harmoniza com tapas espanholas, frutos do mar, queijos suaves e sobremesas com frutas. - *Bellini Clássico*: um coquetel delicado que mistura espumante brut gelado com purê de pêssego. Coloque o purê no fundo da taça flute, complete com o espumante e mexa suavemente. Decore com uma fatia de pêssego. Harmoniza com bruschettas, carpaccio de salmão, burrata com rúcula e sobremesas leves como panna cotta. - *French 75*: elegante e sofisticado, combina gin, suco de limão e xarope de açúcar, finalizado com espumante brut bem gelado. Basta bater os ingredientes cítricos com gelo na coqueteleira, coar em taça flute e completar com espumante. Decore com casca de limão. Harmoniza com ostras frescas, saladas de frutos do mar, queijos de cabra suaves e entradas delicadas como vol-au-vent de camarão. --- Mais do que técnica, os vinhos de verão são sobre descomplicar. São vinhos que convidam ao convívio, à mesa leve e colorida, ao prazer de brindar sem cerimônia. Uma taça bem gelada, acompanhada de pratos frescos, transforma qualquer refeição em celebração. Ao brindar com uma sangria, um Bellini ou um French 75, celebramos não apenas o sabor, mas também a simplicidade e a alegria dos encontros.
- Feijão tropeiro
Esta escolha é estratégica por três motivos: Representa a fartura e a "sorte" associada aos grãos no início do ano, utiliza ingredientes típicos da roça que reforçam a identidade e valorizar "comida com propósito" e raízes locais. Feijão Tropeiro da Prosperidade Uma receita que carrega a história dos viajantes e o sabor da nossa terra para garantir um ano farto. Ingredientes Principais: 500g de feijão (tipo carioquinha ou corda) cozido al dente; 200g de bacon e 200g de linguiça calabresa picados; 1 xícara de farinha de mandioca artesanal (essencial para o "sabor da terra"); Couve-manteiga picada bem fina (ingrediente da estação em janeiro); Ovos fritos para finalizar. Feijão simboliza o crescimento e os ovos a vida nova. Bolo de Milho Verde ou pratos com Maracujá e Abacaxi, que são frutas no auge da safra de janeiro Por que esta receita? Sazonalidade: Janeiro é época de couve fresca e milho em diversas regiões do Brasil. Tradição: O feijão tropeiro é um pilar da culinária rústica brasileira. Para equilibrar o sabor intenso e a textura do feijão tropeiro, as melhores saladas são aquelas que trazem refrescância e acidez ao prato. Aqui estão algumas opções ideais... 1. Salada Tropical com Frutas Ajuda a "limpar" o paladar entre as garfadas de tropeiro. Ingredientes: Mix de folhas (alface, rúcula), cubos de manga, tomate-cereja, palmito e castanhas-do-pará. Dica: O uso da manga ou até de fatias de laranja cria um contraste adocicado que combina muito bem com pratos à base de porco e feijão. 2. Salada de Repolho Refrescante Uma opção crocante e leve que harmoniza perfeitamente com carnes secas ou sol. Ingredientes: Repolho branco e roxo fatiados bem finos, cenoura ralada e maçã verde picada (opcional para dar um toque especial). Molho: Vinagrete leve de limão, azeite e um toque de mostarda. 3. Salada de Couve Crua com Laranja Diferente da tradicional couve refogada, a versão crua é mais vibrante. Preparo: Corte a couve em tiras finíssimas e tempere com gomos de laranja, azeite e sal. A acidez da laranja ajuda na digestão do prato. 4. Vinagrete de Feijão Fradinho Se quiser manter a temática de grãos, mas com frescor. Ingredientes: Feijão fradinho cozido (al dente), tomate, cebola roxa, pimentões coloridos e bastante coentro ou salsinha. Dica: Deixe marinar na geladeira por pelo menos 2 horas antes de servir para intensificar os sabores. 5. Salada de Maionese ou Aipim Opções mais clássicas de acompanhamento para refeições robustas. Aipim (Mandioca): Cozida em cubos e temperada com cebolinha, azeite e vinagre. Maionese: Batatas cozidas, cenoura, vagem e maionese caseira. Para completar o seu almoço, além da salada, o feijão tropeiro costuma ser servido com arroz branco, ovo frito e torresmo crocante. E pra sobremesa: 1. Abacaxi Grelhado com Raspas de Limão (Digestiva) Esta é a escolha funcional perfeita, pois a bromelina do abacaxi auxilia na digestão das carnes do tropeiro. Ingredientes: 1 abacaxi pérola maduro e raspas de 2 limões (siciliano ou taiti). Preparo: Corte o abacaxi em fatias. Grelhe em uma frigideira antiaderente (sem gordura) até dourar levemente dos dois lados. Finalize com as raspas de limão por cima. Sirva morno ou frio. 2. Mousse de Limão Rápida (Refrescante) A acidez do limão quebra a sensação de "peso" da gordura do bacon e da linguiça. Ingredientes: 1 lata de leite condensado, 1 caixinha de creme de leite e suco de 3 a 4 limões. Preparo: Bata tudo no liquidificador até obter um creme homogêneo. Leve à geladeira por pelo menos 2 horas antes de servir. Decore com raspas de limão. Dica Extra: Se preferir algo clássico de Minas Gerais sem cozinhar, a combinação de Goiabada Cascão com Queijo Minas ou um Doce de Leite artesanal são escolhas infalíveis que mantêm a regionalidade do prato. "Se não for para criar memórias com comida boa, a gente nem quer! Abrimos as portas de 2026"Um novo ano brota com a promessa de colheitas generosas e momentos inesquecíveis ao redor da mesa. Esse ano ,nossa missão continua sendo honrar os Sabores da Terra — aqueles que carregam história, afeto e a essência da nossa raiz. Que cada dia deste ano tenha o tempero da felicidade e o aroma celebrando o que a terra nos dá de melhor. É tempo de novos sabores, encontros inesperados e brindes sinceros. O que você deseja saborear com a gente este ano? Comente suas meta gastronômicas e me fale quais receitas voceis querem ver aqui !
- Pé Plano ou Pé Chato: Compreendendo esta Condição Comum e suas Implicações
O pé plano, popularmente conhecido como pé chato, é uma condição que afeta a estrutura do pé. Essa condição é caracterizada pela ausência ou diminuição do arco plantar, resultando em uma sola do pé que toca o chão em toda a sua extensão. Embora muitos possam não perceber a gravidade dessa condição, o pé plano pode levar a uma série de problemas relacionados à mobilidade e ao conforto, especialmente quando não tratado. O Que é o Pé Plano? O pé plano é uma deformidade do pé em que o arco, que normalmente se eleva do chão, se torna muito baixo ou até mesmo ausente. Essa condição pode ser observada em crianças desde a infância, mas é importante destacar que não é incomum que adultos também sofram com ela. Os arcos dos pés são responsáveis por absorver impactos e ajudar na distribuição do peso do corpo ao andar, correr ou pular. Assim, quando essa estrutura é comprometedora, o corpo encontra dificuldades em se mover de maneira eficiente. Possíveis Causas As causas do pé plano podem ser variadas e incluem fatores genéticos, desenvolvimento inadequado dos pés na infância, lesões nos ligamentos, e condições neuromusculares. Algumas pessoas podem nascer com pé plano (pé plano congênito), enquanto outras podem desenvolvê-lo ao longo da vida devido a estresse repetitivo nos pés, obesidade ou ainda a partir de lesões. Além disso, a idade pode impactar a saúde dos pés, uma vez que os tendões e ligamentos podem se tornar mais fracos e perder a elasticidade com o passar do tempo. Problemas Associados ao Pé Plano A presença do pé plano pode desencadear uma série de problemas que vão além da aparência estética. Entre as queixas mais comuns, encontramos: 1. Dor e Desconforto: Muitas pessoas com pé plano relatam dores nos pés, tornozelos, joelhos e até mesmo nas costas. O impacto da falta do arco plantar pode levar a um aumento na tensão em outras áreas do corpo. 2. Fadiga Muscular: A alteração na maneira como o pé absorve impactos pode levar a um esforço extra para os músculos da perna. Isso pode resultar em cãibras e fadiga ao final do dia. 3. Alterações na Marcha: Os indivíduos com pé plano podem desenvolver uma marcha anormal, o que, a longo prazo, pode afetar a postura e a mecânica da movimentação, causando outros problemas ortopédicos. 4. Tendinites e Fascites Plantares: A sobrecarga nos tendões e tecidos moles pode levar a inflamações, como tendinites e a famosa fascite plantar, que causa dores intensas na planta dos pés. 5. Desgaste Precoce das Articulações: O peso do corpo pode ser mal distribuído, resultando em um desgaste maior das articulações, especialmente dos joelhos e quadris. Tratamentos Disponíveis Existem várias abordagens para tratar o pé plano, dependendo da gravidade da condição e dos sintomas apresentados. Algumas opções incluem: 1. Exercícios e Fisioterapia : Alongamentos e exercícios específicos podem ajudar a fortalecer os músculos do pé e melhorar a função do arco plantar. Um fisioterapeuta pode oferecer um plano personalizado. 2. Calçados Adequados: A escolha de sapatos com suporte adequado é fundamental. Evitar calçados muito planos e optar por modelos que ofereçam suporte ao arco pode ajudar a aliviar os sintomas. 3 . Palmilhas Sob Medida: Uma das soluções mais eficazes para corrigir o arco plantar e melhorar os sintomas associados ao pé plano é o uso de palmilhas ortopédicas personalizadas. Essas palmilhas são projetadas para fornecer suporte ao arco plantar, redistribuir a pressão e melhorar a biomecânica do pé. Podem ser feitas de materiais que oferecem conforto e amortecimento, diminuindo a dor e proporcionando uma melhor adaptação ao calçado. 4. Tratamentos Médicos: Em casos mais graves, pode ser necessária a intervenção médica. Medicamentos anti-inflamatórios, injeções de cortisona, ou até mesmo cirurgia em casos extremos podem ser indicados. Conclusão O pé plano é uma condição que afeta muitas pessoas em diferentes idades e pode trazer um conjunto de desafios e desconfortos. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda é um passo crucial para a recuperação e bem-estar. O uso de palmilhas sob medida se destaca como uma solução eficaz, proporcionando alívio e suporte, permitindo que muitos voltem a realizar suas atividades diárias com mais conforto e qualidade de vida. Se você ou alguém que você conhece sofre com essa condição, considere consultar um especialista para explorar as melhores opções de tratamento disponíveis. Com o cuidado adequado, é possível viver de forma plena, apesar do pé chato.
- Depressão ou deficiência nutricional?
A importância de olhar o corpo como um todo. A depressão é uma condição séria e multifatorial, envolvendo aspectos emocionais, psicológicos, sociais e biológicos. No entanto, algo que ainda recebe pouca atenção é o quanto deficiências nutricionais e desequilíbrios hormonais podem provocar sintomas muito semelhantes à depressão — e, em muitos casos, serem a verdadeira causa do sofrimento emocional. Cansaço extremo, desânimo, tristeza persistente, falta de foco, irritabilidade, alterações no sono e na memória nem sempre indicam um transtorno depressivo. Muitas vezes, o organismo está apenas sinalizando que algo não está funcionando bem bioquimicamente. Vitaminas e hormônios diretamente ligados ao humor Vitamina B12 A vitamina B12 é essencial para o funcionamento do sistema nervoso, produção de neurotransmissores e saúde cerebral. Sua deficiência pode causar: Tristeza profunda Falta de energia Confusão mental Perda de memória Sensação de apatia Formigamentos e dores Em muitos casos, a pessoa é diagnosticada com depressão ou ansiedade, mas o uso de antidepressivos não traz melhora, justamente porque a raiz do problema é nutricional. Vitamina D3 Conhecida como a “vitamina do sol”, a vitamina D3 atua diretamente no cérebro e no sistema imunológico. Níveis baixos estão associados a: Humor deprimido Falta de motivação Aumento da ansiedade Maior risco de depressão Pessoas com pouca exposição solar, alterações intestinais ou absorção inadequada costumam apresentar deficiência mesmo vivendo em países ensolarados. Cortisol (hormônio do estresse) O cortisol é fundamental para a energia, foco e resposta ao estresse. Tanto níveis muito baixos quanto muito altos podem causar: Cansaço constante Desânimo Sensação de sobrecarga emocional Dificuldade de concentração Queda da imunidade A chamada “fadiga adrenal” ou desregulação do eixo do estresse pode simular quadros depressivos importantes. O Papel do Intestino na Saúde Mental Hoje já se sabe que o intestino é considerado o “segundo cérebro”. Cerca de 90% da serotonina (neurotransmissor do bem-estar) é produzida no trato intestinal. Desequilíbrios da flora intestinal, inflamações, intolerâncias alimentares e má absorção de nutrientes podem levar a: Deficiências vitamínicas Inflamação sistêmica Alterações de humor Ansiedade e sintomas depressivos Cuidar do intestino é cuidar diretamente da mente. TDAH, Autismo e a Importância do Equilíbrio Nutricional Pessoas com TDAH e Transtorno do Espectro Autista (TEA) possuem maior sensibilidade neurológica e metabólica. Para elas, manter níveis adequados de vitaminas e minerais não é apenas importante — é essencial. Deficiências de B12, D3, ferro, magnésio, zinco e alterações intestinais podem intensificar: Desatenção Irritabilidade Crises emocionais Ansiedade Dificuldade de regulação emocional Um acompanhamento individualizado, olhando exames laboratoriais, alimentação e saúde intestinal, pode fazer uma diferença profunda na qualidade de vida. Nem tudo é “só emocional” É fundamental reforçar: nem todo quadro de tristeza, ansiedade ou desânimo é exclusivamente psicológico. Muitas pessoas passam anos usando medicações para depressão e ansiedade sem melhora significativa, porque a causa real não foi investigada. Isso não invalida o tratamento psicológico ou psiquiátrico — pelo contrário. O ideal é uma abordagem integrativa, que una: Avaliação emocional Exames laboratoriais Correção de deficiências nutricionais Cuidado com o intestino Estilo de vida equilibrado Antes de rotular alguém como “deprimido”, é preciso escutar o corpo com atenção. Às vezes, o que parece depressão é um pedido silencioso do organismo por nutrientes, equilíbrio hormonal e cuidado integral. Cuidar da mente é também cuidar do corpo. E cuidar do corpo, muitas vezes, é o primeiro passo para aliviar a dor emocional. Importante: Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou profissional especializada. Sempre procure acompanhamento adequado.
- Moda Praia: Tendências para o Verão que Vem Aí!
O verão está chegando e com ele, as praias estão se preparando para receber os banhistas mais estilosos! Se você está procurando por inspiração para a sua próxima viagem à praia, aqui estão as tendências de moda praia que você precisa conhecer: 1. Cores Vibrantes Este verão, as cores vibrantes estão em alta! Deixe-se levar pelas cores quentes e vibrantes, como o laranja, o amarelo e o rosa. Use-as em seus biquínis, shorts e vestidos para criar um look de praia inesquecível. 2. Estampas de Frutas As estampas de frutas estão de volta! Deixe-se inspirar pelas cores e sabores das frutas e use estampas de morango, abacaxi e manga em seus biquínis e vestidos. 3. Crochê e Macramé O crochê e o macramé estão em alta este verão! Use-os em seus biquínis, shorts e vestidos para criar um look de praia artesanal e charmoso. - Biquínis e Maiôs Peças em crochê são versáteis e estilosas, sendo vistas em famosas como Anitta e Bruna Griphao. - Saídas de Praia As saídas de praia em crochê são super tendência, oferecendo um charme rústico e leveza para o visual pós-praia. 4. Acessórios de Palha Os acessórios de palha são perfeitos para o verão! Use-os em seus chapéus, bolsas e sandálias para criar um look de praia autêntico e elegante. 5. Biquínis de Corda Os biquínis de corda estão de volta! Use-os para criar um look de praia sensual e charmoso. Combine-os com shorts e vestidos para criar um look de praia completo. Dicas para um Look de Praia Perfeito - Não esqueça de usar protetor solar e chapéu para proteger a pele do sol. - Escolha roupas confortáveis e leves para se sentir bem na praia. - Adicione acessórios, como óculos de sol e sandálias, para completar o look. - Não tenha medo de experimentar e criar seu próprio estilo! E você, qual é o seu estilo de moda praia?
- NEM TODA MANCHA É CÁRIE
Introdução O sorriso é frequentemente considerado o cartão de visita de uma pessoa, e qualquer alteração na sua estética costuma gerar preocupação imediata. Para a maioria dos pacientes, a visualização de uma mancha preta ou marrom é associada diretamente à cárie dental. No entanto, essa associação nem sempre corresponde à realidade clínica. É fundamental compreender que a cárie é um processo de desmineralização provocado por ácidos bacterianos. A lesão em sua fase inicial e ativa se apresenta como uma mancha branca opaca, indicando a perda de minerais antes mesmo de haver uma cavidade. É somente em estágios mais avançados, ou na fase inativa, que a coloração escura costuma aparecer. Saber que nem toda mancha é cárie é essencial para tranquilizar o paciente e evitar tratamentos restauradores invasivos e desnecessários. Neste artigo, vamos explorar o que realmente pode ser essa alteração de cor, entender as diferenças vitais entre patologia e pigmentação, e descobrir quando a mancha é apenas uma questão estética ou quando realmente exige intervenção profissional. Sulcos Pigmentados A anatomia natural dos dentes posteriores (molares e pré-molares) apresenta ranhuras e fossas profundas. É extremamente comum que esses sulcos fiquem pigmentados com o passar do tempo, adquirindo uma linha fina e escurecida no fundo devido à retenção de corantes da dieta do paciente, alterando a cor, mas sem comprometer a saúde ou a estrutura do dente. Fonte: Jornal Classe A. Fluorose Dentária É uma falha na formação do esmalte, causada quando a criança ingere flúor em excesso durante o desenvolvimento dos dentes. Embora nos casos leves apareçam apenas discretas estrias brancas, nos graus mais severos o esmalte se torna poroso e absorve pigmentos, resultando em manchas marrons e um aspecto corroído que mimetiza perfeitamente a lesão de cárie. Fonte: FGM. Amelogênese Imperfeita Nesta condição genética, o esmalte do dente já nasce com uma formação deficiente. Os dentes podem apresentar uma coloração amarelada ou castanha e uma estrutura muito frágil, sujeita a desgastes. Embora seja frequentemente confundida com cárie, essa alteração é um defeito estrutural de origem, e não consequência de má higiene. Fonte: Odontologistas. Conclusão Embora a estética dental seja relevante, a presença de manchas não deve ser interpretada automaticamente como sinônimo de doença. A distinção entre lesões cariosas e alterações benignas, como pigmentações e defeitos de esmalte, é crucial para a conduta clínica correta. Portanto, o conhecimento sobre essas diferenças reforça a importância da avaliação profissional, substituindo o receio do paciente pela segurança de um diagnóstico preciso e conservador. Referências Bibliográficas AZEVEDO, Marina Sousa et al. Amelogênese imperfeita: aspectos clínicos e tratamento. RGO - Revista Gaúcha de Odontologia, Porto Alegre, v. 61, n. 3, p. 491-496, dez. 2013. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-86372013000500010 . Acesso em: 17 jan. 2026. MEIRELLES, Juçara Brito et al. Métodos diagnósticos para lesões de cárie com sulcos pigmentados em superfície oclusal. RGO - Revista Gaúcha de Odontologia, Porto Alegre, v. 64, n. 3, p. 253-260, set. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgo/a/wV6wYCqCPv949bR8XFX9dwh/?format=pdf . Acesso em: 17 jan. 2026. RIGO, Lilian; LODI, Leodinei; GARBIN, Raíssa Rigo. Diagnóstico diferencial de fluorose dentária por discentes de odontologia. Einstein (São Paulo), São Paulo, v. 13, n. 4, p. 547-554, dez. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/eins/a/z6mLBM5wQGs3BB7G654hJrq/?format=pdf . Acesso em: 17 jan. 2026.
- Quando o discurso cansa e o resultado vira voto
Há algo que a política insiste em ignorar, mas o cotidiano faz questão de lembrar todos os dias: ninguém acorda ideológico. As pessoas acordam com boleto, com medo, com fome, com pressa, com incerteza. E é justamente aí que começa a grande mudança política que atravessa a América do Sul e ecoa pela Europa. Não é uma revolução conservadora. Não é um complô global. É algo muito mais simples — e muito mais incômodo para quem governa mal: o eleitor cansou de esperar resultados que nunca chegam. Durante anos, o debate público foi sequestrado por narrativas. Belas narrativas, inclusive. Cheias de palavras bonitas, conceitos elevados, promessas históricas e compromissos morais. Mas narrativas não pagam aluguel. Não estabilizam moeda. Não reduzem fila no hospital. Não trazem segurança para quem fecha o comércio à noite olhando para os lados. Em algum momento, o verniz do discurso começa a rachar. E quando racha, o que aparece não é ideologia — é frustração. O avanço de partidos de centro-direita em diferentes países não nasce de um amor súbito por teses econômicas liberais ou por valores tradicionais. Ele nasce de algo muito menos nobre e muito mais humano: a percepção de que o Estado fala muito e entrega pouco. A política contemporânea se tornou especialista em explicar o mundo, mas péssima em resolvê-lo. Especialista em justificar fracassos, em culpar conjunturas externas, heranças passadas, sistemas globais, crises climáticas, pandemias, guerras distantes. Tudo vira desculpa. Nada vira solução. E quando tudo é sempre culpa de algo maior, o cidadão comum entende uma coisa muito clara: ninguém está assumindo o volante. Na América do Sul, esse desgaste é ainda mais visível. Décadas de promessas sociais não foram acompanhadas de eficiência administrativa. Programas surgiram, slogans se multiplicaram, campanhas emocionais dominaram o debate — mas o básico continuou falhando. A inflação voltou a rondar o prato. O transporte continuou precário. A informalidade virou regra. O Estado cresceu, mas os serviços não acompanharam. Criou-se uma máquina pesada, cara e lenta, incapaz de responder com agilidade às crises que ela mesma ajudou a aprofundar. O eleitor não abandonou causas sociais. Ele abandonou a incompetência travestida de virtude. Há um limite para a paciência coletiva quando o discurso insiste em pedir compreensão enquanto a realidade exige ação. O problema nunca foi falar de desigualdade. O problema foi falar de desigualdade enquanto ela aumentava. Nunca foi discutir justiça social. Foi fazê-lo enquanto a sensação de injustiça cotidiana se tornava mais palpável: quem trabalha sente que perde, quem produz sente que é punido, quem paga imposto sente que não recebe retorno. Na Europa, o fenômeno segue lógica parecida, ainda que com outras camadas. Estados historicamente robustos começaram a falhar justamente onde prometiam excelência. Crises energéticas expuseram fragilidades estruturais. Sistemas de bem-estar social passaram a operar no limite. A segurança, antes garantida, virou preocupação. A sensação de controle se perdeu. E quando o cidadão percebe que o governo não controla sequer o que acontece dentro de suas próprias fronteiras, algo fundamental se rompe. Não se trata de xenofobia pura, como muitos tentam simplificar. Trata-se de capacidade de gestão. De saber quantos entram, quem entra, como entram, como serão integrados, quanto isso custa e quem paga a conta. Quando essas perguntas ficam sem resposta, o problema deixa de ser moral e passa a ser operacional. E falhas operacionais não são toleradas por muito tempo. O eleitor europeu não está pedindo discursos mais sensíveis. Está pedindo governos que funcionem. A grande ilusão da política recente foi acreditar que boas intenções compensam maus resultados. Não compensam. Nunca compensaram. O mundo real é brutal nesse aspecto. Ele cobra entrega. Cobra eficiência. Cobra previsibilidade. E quando essas coisas não vêm, o voto vira ferramenta de protesto — ainda que o eleitor não concorde integralmente com quem protesta por ele. É por isso que muitos partidos de centro-direita crescem não pelo que prometem fazer, mas pelo que os outros não conseguiram entregar. Eles se apresentam como gestores, não como salvadores. Como administradores, não como educadores morais da sociedade. Falam menos de transformação histórica e mais de planilha. Menos de símbolos e mais de custo. Menos de futuro ideal e mais de presente possível. Isso não os torna automaticamente melhores. Mas os torna, aos olhos do eleitor cansado, mais conectados com a realidade. Há também um esgotamento claro da política como performance. Durante anos, governar virou encenar. Encenação de empatia, de indignação, de virtude. Redes sociais transformaram líderes em personagens e decisões públicas em conteúdo. O problema é que a vida real não é editável. Não aceita corte seco. Não aceita legenda emocional. Quando o palco apaga, sobra o caos — e o cidadão percebe que foi governado por narradores, não por operadores. O dedo na ferida dói, mas precisa ser colocado: governar não é discursar, é decidir. E decidir custa. Gera desgaste. Cria inimigos. Exige prioridade. Muitos governos preferiram o aplauso imediato ao conflito necessário. Preferiram agradar bolhas a enfrentar estruturas ineficientes. Preferiram manter consensos artificiais a reformar sistemas falidos. O resultado está aí. A centro-direita cresce porque promete ordem num mundo desordenado. Não porque a ordem seja perfeita, mas porque o caos cansa. Cresce porque fala em responsabilidade fiscal num cenário onde a conta nunca fecha. Não porque números sejam mais importantes que pessoas, mas porque sem números equilibrados não há política social sustentável. Cresce porque fala em produtividade num mundo que romantizou a improdutividade institucional. E cresce, principalmente, porque reconhece algo que muitos governos se recusaram a admitir: o Estado não pode tudo. Quando o poder público promete mais do que consegue entregar, ele mina a própria credibilidade. E credibilidade, uma vez perdida, não se recupera com campanhas, mas com resultados — algo que leva tempo e exige coragem. O movimento que vemos hoje não é definitivo. Não é solução final. É um ajuste bruto, quase instintivo, de sociedades pressionadas por múltiplas crises simultâneas. Uma policrise que mistura economia, demografia, tecnologia, clima e confiança institucional. Em cenários assim, o eleitor não busca utopia. Busca estabilidade mínima para respirar. Mas há um alerta importante: se a centro-direita repetir o erro de governar pelo discurso e não pela entrega, o pêndulo voltará a se mover. A frustração não escolhe lado. Ela apenas troca de endereço. O recado das urnas, tanto na América do Sul quanto na Europa, é brutalmente simples: parem de explicar o mundo e comecem a fazê-lo funcionar. Menos narrativa, mais execução. Menos ideologia, mais resultado. Menos promessa, mais consequência. O resto é ruído. E o ruído, como estamos aprendendo, já não convence ninguém.
- Quando a luz pisca, o mundo treme
Não é preciso entender de geopolítica, economia global ou engenharia elétrica para perceber que alguma coisa mudou. Basta estar em casa quando a luz oscila. Basta tentar pagar algo no cartão e a máquina não responder. Basta abrir o celular e perceber que, sem energia, ele vira apenas um objeto caro e inútil. É nesse instante — banal, cotidiano, quase invisível — que o debate sobre o chamado Grande Reset deixa de parecer distante e passa a tocar a vida real. A Revista NA TELA não fala de teorias para assustar, nem de promessas fáceis para tranquilizar. Aqui, a pergunta nunca é “quem está por trás?”, mas sim: o que está quebrando diante dos nossos olhos — e por quê? O termo “Grande Reset” surgiu nos salões bem iluminados do poder global, como uma ideia elegante: reorganizar a economia mundial depois de grandes crises, tornar o capitalismo mais sustentável, mais digital, mais eficiente. Até aí, nada de extraordinário. O mundo sempre se reorganizou depois de choques. Guerras fizeram isso. Crises financeiras fizeram isso. Pandemias também. O problema é que, fora dos discursos institucionais, o Reset ganhou outro significado. Para quem está do lado de cá — o lado da conta de luz cara, do salário que não acompanha os preços, da insegurança constante — Reset passou a significar perda de chão. Uma sensação difusa de que as regras mudaram sem aviso, e pior: sem escolha. E é nesse contexto que os apagões entram na conversa. Apagões não são um plano secreto. Não são um botão apertado por alguém em uma sala escura do mundo. Eles são, antes de tudo, sintomas. Sintomas de sistemas antigos tentando sustentar um modo de vida novo demais. Redes elétricas envelhecidas, cidades inchadas, eventos climáticos extremos, consumo crescente, digitalização total da existência. Tudo isso exige energia constante, estável, abundante. E o sistema, muitas vezes, não dá conta. Quando falta luz, não falta apenas eletricidade. Falta rotina. Falta controle. Falta previsibilidade. A vida moderna é construída sobre a ideia de fluxo contínuo: energia, internet, pagamentos, informação. Um apagão interrompe esse fluxo e expõe algo que preferimos ignorar: somos totalmente dependentes de estruturas que não entendemos e não controlamos. Para o público leigo, o ponto central é simples — e profundamente humano. O medo do Reset não nasce de gráficos ou relatórios internacionais. Ele nasce da experiência cotidiana de instabilidade. Da sensação de que tudo é provisório. De que nada é sólido. De que o futuro, antes promessa, virou ameaça. A narrativa conspiratória cresce porque encontra um terreno fértil: a quebra de confiança. Confiança nas instituições, nos governos, nos sistemas. Quando a luz apaga, quando o serviço falha, quando a resposta não vem, o vazio é preenchido por interpretações. Algumas exageradas. Outras fantasiosas. Mas quase todas nascem da mesma raiz: a percepção de abandono. A verdade incômoda é que não estamos vivendo um “reset” no sentido cinematográfico, com data marcada e roteiro definido. Estamos vivendo algo mais silencioso e mais profundo: um processo de esgotamento. E quando sistemas entram em esgotamento, eles não caem de uma vez. Eles falham aos poucos. Um apagão aqui. Uma crise ali. Uma quebra de confiança acolá. O mundo está tentando se reinventar enquanto ainda funciona. E isso gera fricção. Gera falhas. Gera medo. A transição energética, por exemplo, é necessária. O planeta cobra. Mas ela está sendo feita em cima de estruturas frágeis, com pressa política e pouca paciência social. O resultado é um cotidiano mais instável, mais caro e mais tenso. Para quem está no topo, isso é ajuste. Para quem está na base, é sacrifício. E é aqui que a NA TELA faz questão de frisar: o verdadeiro debate não é sobre se existe ou não um Grande Reset. Ele existe — não como plano secreto, mas como realidade em curso. A pergunta que importa é: quem paga o preço dessa transição? Porque reset, na prática, quase nunca é neutro. Alguém perde antes para que outro se adapte depois. Alguém vive a instabilidade enquanto outro a gerencia de longe. Os apagões não anunciam o fim do mundo. Mas anunciam algo igualmente desconfortável: o modelo atual está no limite. E limites não negociados costumam gerar rupturas — sociais, políticas e emocionais. Entender isso não exige formação técnica. Exige apenas atenção ao cotidiano. À conta que não fecha. Ao serviço que falha. À sensação persistente de que estamos sempre correndo para nos adaptar a um mundo que muda mais rápido do que conseguimos compreender. Talvez o maior erro seja esperar que alguém explique tudo de forma clara, simples e honesta. Isso raramente acontece em períodos de transição. O que existe são fragmentos. Sinais. Sintomas. Quando a luz pisca, o mundo não está conspirando. Ele está avisando. E o verdadeiro Reset, gostemos ou não, começa quando percebemos que nada voltará a ser como antes — e ainda não sabemos exatamente o que virá depois.
- Quando o Risco Não é o Banco, é o Silêncio
Existe uma ilusão confortável que se repete em ciclos no Brasil: a de que o sistema bancário é sólido demais para ser abalado por instituições periféricas. Como se o risco viesse apenas dos gigantes, dos grandes conglomerados, das cifras bilionárias que estampam relatórios e capas de revista. Mas a história — sempre ela — insiste em nos lembrar que os colapsos mais ruidosos quase nunca começam no centro. Eles nascem nas bordas. Discretos. Técnicos. Ignorados. O caso do Banco Master, independentemente de desfechos ou julgamentos definitivos, acende um alerta que vai muito além de um nome próprio. Ele revela algo mais profundo e incômodo: o quanto o sistema financeiro brasileiro ainda depende menos de balanços e mais de confiança. E o quanto essa confiança é frágil quando confrontada por práticas agressivas, modelos de crescimento acelerado e uma regulação que, muitas vezes, chega atrasada ao incêndio. Bancos não quebram apenas por insolvência. Quebram quando o mercado decide que eles podem quebrar. É um pacto invisível, quase psicológico, que sustenta o crédito, a liquidez e a circulação do dinheiro. Quando esse pacto se rompe, não há taxa de juros, garantia formal ou discurso institucional que segure a corrida. O sistema bancário é, antes de tudo, um sistema de crença. E é aqui que mora o risco sistêmico. Não no tamanho absoluto do banco, mas no lugar que ele ocupa na engrenagem. Bancos médios e pequenos, ao buscarem protagonismo, frequentemente recorrem a estratégias de diferenciação baseadas em rentabilidade acima da média, produtos complexos, estruturas pouco transparentes ou concentração de risco. Funcionam bem enquanto o vento sopra a favor. Mas quando o mercado muda de humor — e ele muda rápido — essas mesmas estratégias viram combustível. O problema nunca é isolado. Bancos não operam em caixas individuais. Eles emprestam entre si, compartilham investidores, disputam o mesmo funding, acessam o mesmo Fundo Garantidor de Créditos. Quando um elo da corrente apresenta fragilidade, a pergunta não é “quem vai quebrar?”, mas “quem está exposto?”. E essa pergunta paralisa. O crédito encarece. O dinheiro recua. A economia real sente antes mesmo de entender o motivo. O FGC, frequentemente tratado como escudo absoluto, também tem limites — financeiros e simbólicos. Cada evento relevante consome recursos, pressiona o sistema saudável e alimenta a percepção de que o risco está se acumulando. O efeito colateral é perverso: bancos mais conservadores passam a pagar a conta dos mais ousados, enquanto o custo do crédito se espalha pela sociedade. O risco privado vira, lentamente, um imposto invisível. Mas talvez o ponto mais sensível esteja na regulação. Não na sua existência, mas na sua percepção. Quando o mercado começa a desconfiar que práticas arriscadas foram toleradas por tempo demais, que alertas foram ignorados ou que o crescimento acelerado passou sem escrutínio proporcional, a dúvida deixa de ser sobre um banco específico. Ela passa a ser institucional. E quando a confiança na supervisão balança, o capital não debate — ele se move. Crises bancárias não são apenas eventos financeiros. São narrativas. Elas moldam discursos políticos, alimentam desconfiança social e corroem a ideia de previsibilidade. Não importa quantas vezes se repita que “o sistema é sólido” se, na prática, a sensação é de improviso. O mercado lê sinais. E o silêncio, muitas vezes, é o mais barulhento deles. O caso do Banco Master expõe uma tensão antiga: até que ponto o sistema aceita modelos agressivos em nome da competição? Até onde vai a inovação financeira e onde começa a imprudência? E, principalmente, quem segura o volante quando a curva fecha rápido demais? A verdadeira ameaça não é um banco quebrar. Isso faz parte do capitalismo. A ameaça é fingir que não há risco até que ele se torne grande demais para ser contido sem custo social. A ameaça é tratar sinais como ruído. É confundir crescimento com solidez. É acreditar que confiança se reconstrói apenas com notas técnicas e comunicados oficiais. No fim, o sistema bancário brasileiro continua robusto — mas robustez não é sinônimo de invulnerabilidade. Ela exige vigilância constante, transparência radical e coragem regulatória. Porque quando o risco não é nomeado, quando o debate é abafado e quando a crítica é tratada como alarmismo, o problema deixa de ser o banco. O problema passa a ser o silêncio. E silêncio, em finanças, quase nunca significa estabilidade. Significa espera. A espera pelo impacto











